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Relatório aponta que helicóptero de Oliver Tree voava sem rastreamento antes de colisão fatal
Foto: Divulgação

Documento preliminar do Cenipa revela falhas de monitoramento e rotas coincidentes no acidente que matou o cantor e outras quatro pessoas.

O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) trouxe novos detalhes sobre o acidente de helicóptero que matou o cantor Oliver Tree e outras quatro pessoas, em 14 de junho, no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, a aeronave em que o artista viajava operava sem ser detectada pelos radares do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), condição conhecida no meio aeronáutico como "voo invisível".

 

De acordo com o documento, o helicóptero de matrícula PP-MAC não foi identificado pelos sistemas de monitoramento durante todo o trajeto entre o Aeroporto de Jacarepaguá e Angra dos Reis. A bordo estavam Oliver Tree, o youtuber argentino Gaspar Prim (Gaspi), o produtor Lucas Brito, conhecido como Lucas Frota, e dois pilotos.

 

Já a outra aeronave envolvida na colisão, de matrícula PR-DJJ, teve parte do voo registrada pelos radares desde a decolagem no Aeroporto Santos Dumont, seguindo em direção a Guaratiba.

 

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A investigação também apontou que os dois helicópteros percorriam rotas praticamente idênticas, utilizando os mesmos corredores aéreos e voando em altitudes semelhantes. A situação tornou-se crítica na região conhecida como "Tachas", onde ocorreu a aproximação que antecedeu a colisão. Dados de GPS indicam que o helicóptero PR-DJJ mantinha cerca de 800 pés de altitude, dentro do limite previsto para a rota utilizada.

 

Outro fator destacado pelo Cenipa foi a ausência de registros das comunicações entre as tripulações. O acidente aconteceu em um espaço aéreo Classe G, onde a coordenação é feita diretamente entre os pilotos por uma frequência que não é monitorada pelos órgãos de controle de tráfego aéreo. Além disso, nenhuma das aeronaves possuía gravadores de voz ou de dados de voo, equipamentos que não eram obrigatórios para esses modelos.

 

Os investigadores conseguiram recuperar informações de GPS e de um sistema de imagens apenas do helicóptero PR-DJJ. Já a aeronave que transportava Oliver Tree foi completamente destruída pelo incêndio após o impacto, impossibilitando a recuperação de equipamentos que pudessem armazenar dados do voo.

 

O relatório também cita que a região onde ocorreu a tragédia já era motivo de preocupação. Um documento da NAV Brasil enviado à Força Aérea Brasileira (FAB) em dezembro de 2025 alertava para o aumento superior a 150% no cruzamento de voos na área de Jacarepaguá e para os riscos causados pela limitação da consciência situacional dos pilotos em trechos sem orientação direta dos controladores.

 

Em nota, a FAB informou que trabalha em um projeto de reestruturação do espaço aéreo do Rio de Janeiro para tornar as rotas mais seguras e eficientes. Segundo a instituição, medidas operacionais já foram adotadas por meio de avisos aos aeronavegantes (NOTAM) para reforçar a segurança das operações na região.

 

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O Cenipa ressaltou que o relatório é preliminar e tem caráter exclusivamente técnico. O objetivo da investigação é identificar fatores que possam ter contribuído para o acidente, sem atribuir culpa ou responsabilidade aos envolvidos. As apurações continuam em andamento, assim como a investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. 

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