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Remédio para enxaqueca pode ajudar a tratar câncer gastrointestinal
Foto: BOONCHAI WEDMAKAWAND / GETTY IMAGES

Estudo revela que o neuropeptídeo CGRP e seu receptor RAMP1 podem ser pivôs no crescimento de cânceres do trato gastrointestinal

Uma equipe de pesquisadores australianos descobriu que duas proteínas-chave do sistema nervoso — (CGRP e RAMP1) — estão presentes em cânceres gastrointestinais e ajudam a impulsionar seu crescimento, o que sugere novas possibilidades de tratamento com fármacos já aprovados. O estudo foi publicado na última quinta-feira (23/10) na revista BMJ Oncology.

 

A partir de uma investigação liderada pela Universidade La Trobe e pelo Instituto de Pesquisa do Câncer Olivia Newton-John, foi identificada uma via antes pouco explorada: neurônios que produzem CGRP no tecido gastrointestinal parecem colaborar com células tumorais para favorecer seu desenvolvimento.

 

Os tumores de intestino e estômago mostram presença tanto de fibras nervosas que liberam CGRP quanto de receptores RAMP1 expressos nas próprias células tumorais. Quando os pesquisadores removeram geneticamente o receptor RAMP1 do câncer, observaram uma redução significativa no crescimento tumoral experimental.

 

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No trato gastrointestinal existe uma rede nervosa local que se comunica via neuropeptídeos — moléculas mensageiras liberadas por neurônios. A via CGRP/RAMP1 funciona assim: o neurônio libera CGRP, que se liga ao receptor RAMP1 na célula-alvo e desencadeia sinais de crescimento, migração ou sobrevivência celular. No estudo, as células tumorais tanto respondem à CGRP quanto produzem CGRP, sugerindo um ciclo de estímulo interno.

 

Como existem medicamentos aprovados para bloquear a via CGRP/RAMP1 (usados em tratamentos de enxaquecas), os autores sugerem que esses fármacos poderiam ser “reutilizados” contra cânceres gastrointestinais.

 

PRINCIPAIS TIPOS DE CÂNCERES GASTROINTESTINAIS

 

Câncer de estômago: um dos mais comuns no trato digestivo, geralmente associado à infecção pela bactéria Helicobacter pylori e à alimentação rica em sódio e defumados.

 

Câncer de intestino (colorretal): afeta o cólon e o reto. Está ligado ao sedentarismo, dieta pobre em fibras e fatores genéticos.
Câncer de esôfago: pode estar associado ao tabagismo, álcool e refluxo gastroesofágico crônico. É de difícil detecção precoce.
Câncer de fígado: geralmente surge como consequência de doenças hepáticas, como hepatite B e C ou cirrose.
Câncer de pâncreas: um dos mais agressivos e silenciosos, costuma causar sintomas apenas em estágios avançados.
Câncer de vesícula biliar: mais raro, costuma ser detectado tardiamente, pois seus sintomas se confundem com problemas digestivos comuns.
A possibilidade de reaproveitar medicamentos já existentes acelera a transição para ensaios clínicos — ou seja, esse tipo de descoberta pode reduzir o tempo entre laboratório e paciente. No entanto, é crucial lembrar que o estudo ainda está em fase pré-clínica/experimental, e não significa que já há um tratamento disponível para uso geral nessa via.

 

Estudos mais aprofundados ainda são necessários para confirmar eficácia e segurança e os possíveis efeitos colaterais. O próximo passo é investigar se todos os tumores gastrointestinais respondem da mesma forma à via CGRP/RAMP1 ou se há variações por subtipo.

 

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Em resumo, o estudo revela que o sistema nervoso local do intestino não apenas participa da digestão, mas pode também alimentar o crescimento de tumores gastrointestinais por meio da via CGRP/RAMP1.

 

Fonte: Metrópoles 

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