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Restauração não se sustenta sem biodiversidade, dizem cientistas
Foto: Reprodução

Focar só em capturar carbono ou plantar árvores ignoraria a complexidade dos ecossistemas e ameaçaria comunidades e clima

A restauração de ambientes naturais no Brasil precisa priorizar a biodiversidade, pois focar só na captura de carbono ou no plantio massivo de árvores seria um erro técnico, um retrocesso institucional e ambiental que pode trazer grandes prejuízos ao país.

 

Essas são as mensagens de um apanhado de diretrizes para restauração elencado pelo Centro de Conhecimento em Biodiversidade, que busca tornar o conhecimento científico sobre os biomas brasileiros mais acessível para a sociedade e gestores públicos. Segundo os autores, estratégias que ignoram a variedade de vida podem criar paisagens apenas estéticas – as “pinturas de verde” – que não sustentam a complexidade dos ecossistemas, a estabilidade ecológica ou os benefícios da restauração para as pessoas.

 

Nesse sentido, ignorar a biodiversidade pode comprometer serviços ecossistêmicos essenciais. Entre os impactos, estão a perda genética, maior exposição a eventos climáticos extremos, aumento dos incêndios, riscos sanitários e ao abastecimento de água e alimentos, sobretudo para povos indígenas e tradicionais.

 

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Para driblar esses erros, o documento recomenda incluir mais especialistas e comunidades locais no planejamento e na tomada de decisões sobre restauração. Também sugere que os projetos – públicos ou privados – priorizem as espécies nativas de cada local e a conexão entre fragmentos de vegetação.

 

Conforme apurou ((o))eco, projetos de restauração envolvendo a captura de carbono, até meados do século, somam ao menos 57 milhões de ha de plantios de árvores – exóticas e nativas – e de agroflorestas, além da recuperação de pastagens degradadas. A área é pouco maior que a da França ou similar à da Bahia.

 

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Abrigo de uma das maiores biodiversidades do planeta e de vastas áreas com potencial para restauração, o Brasil pode liderar essas soluções baseadas na natureza. Mas, isso só será possível com políticas públicas guiadas por ciência sólida e respeito à diversidade social e cultural. 

 

Fonte: O Eco

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