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Retorno da febre amarela? Para impedir que a doença atinja as cidades, a solução é vacinar as pessoas
Foto: Reprodução

Febre amarela é uma doença febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos silvestres

Baixas coberturas de vacina, alta circulação do vírus em macacos silvestres, mudanças climáticas que favorecem a proliferação de mosquitos nas cidades e o aumento de casos de febre amarela em zonas urbanas de países em que a doença é endêmica preocupam autoridades sanitárias nacionais e internacionais.

 

Febre amarela é uma doença febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos silvestres. É comum na região amazônica. O vírus também pode ser disseminado pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito transmissor da dengue, comum em áreas urbanas. A doença é endêmica em doze países do continente americano, incluindo o Brasil. Relatório de análise de risco da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), publicado em maio, alerta para risco elevado de surtos urbanos, e de a doença se espalhar para o sul do Brasil e para a América Central e o Caribe.

 

Dados da Opas mostram um aumento expressivo no número de casos em 2024 e 2025, ao mesmo tempo em que a vacinação fica abaixo da meta. No continente americano, houve 61 casos em 2024, com 30 mortes. Em 2025, já são 221 casos confirmados até maio, com 89 mortes, em cinco países. No Brasil, foram 110 casos com 44 mortes em 2025 até maio, contra oito casos (quatro mortes) em todo 2024. E em 2025 houve casos no Estado de São Paulo.

 

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Foram 55 casos paulistas, com 31 mortes. Em junho, o município de Jundiaí confirmou a morte por febre amarela de um homem de 41 anos, não vacinado. Os casos não representam, ainda, transmissão urbana, mas o fato de as cidades brasileiras abrigarem mosquito transmissor, que encontra condições climáticas favoráveis, preocupa. O último registro de febre amarela urbana no Brasil foi em 1942, mas houve registro no Paraguai em 2007.

 

A febre amarela não tem medicamento específico, apenas tratamento de suporte, mas tem vacina. E trata-se de vacina de dose única, que protege para a vida toda. A recomendação a partir de 2020 é de vacinação universal para brasileiros até 59 anos. Antes, era recomendada apenas para áreas consideradas de risco. A vacinação já não vinha cumprido metas desde antes de 2020, como mostra o Anuário VacinaBR do Instituto Questão de Ciência e dados da Opas. A cobertura para crianças menores de um ano ficou abaixo de 80% em quase todos os estados. Os dados da Opas mostram, no Brasil, cobertura nacional de 73% (2024) e 70% (2023).

 

Estudo publicado em abril no periódico Emerging Infectious Diseases pesquisou mosquitos silvestres na Reserva Florestal Adolpho Ducke, nos arredores de Manaus, e verificou que cinco em cada mil estavam infectados com o vírus. Os mosquitos estavam próximos da área urbana. Em geral, a febre amarela silvestre afeta macacos antes de chegar a humanos, o que serve como alerta epidemiológico. Mas, para impedir que a doença atinja as cidades, a solução é vacinar as pessoas. Sem boa cobertura, há o risco de a doença escapar da mata e iniciar um ciclo urbano. O risco é maior ainda se chegar em regiões ou países onde a doença não é endêmica e não há histórico de vacinação, encontrando populações extremamente vulneráveis.

 

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Some-se a isso o fato de que a produção de vacinas é limitada. No Brasil, temos vacina produzida por Biomanguinhos na rede pública, e da empresa Sanofi na rede privada. Ambas são vacinas atenuadas feitas em ovo, o que limita a produção porque requerem granjas certificadas. Quando enfrentou surtos urbanos em 2017, o Brasil usou doses fracionadas da vacina da Biomanguinhos, por causa da escassez. O alerta da OMS e a divulgação das baixas coberturas vacinais vêm em boa hora. Temos vacinas e capacidade de produção. Precisamos de campanhas para vacinar e para controlar o mosquito nas áreas urbanas. Febre amarela é uma doença que mata. Deixar para depois não é uma opção. 

 

Fonte: O Globo

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