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Réus acusados de planejar os ataques de 11 de Setembro terão julgamento em 2028
Foto: Divulgação

Após décadas de disputas judiciais, quatro acusados pelo atentado que matou cerca de 2.700 pessoas serão julgados em tribunal militar na Baía de Guantánamo.

Quatro homens acusados de envolvimento no planejamento dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, deverão finalmente ser julgados a partir de 5 de junho de 2028. A data representa quase três décadas de espera desde os ataques terroristas que deixaram cerca de 2.700 mortos e deram início à chamada “guerra ao terror” promovida pelo governo norte-americano.

 

Entre os réus está Khalid Sheikh Mohammed, apontado como o principal responsável pelo planejamento dos ataques. Segundo as acusações, ele teria elaborado a ideia de utilizar pilotos treinados para sequestrar aviões comerciais e lançá-los contra edifícios. O plano teria sido posteriormente apresentado a Osama bin Laden, então líder da Al-Qaeda.

 

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TAMBÉM SERÃO JULGADOS:

 

Walid bin Attash, acusado de administrar um campo de treinamento da organização no Afeganistão;


Ali Abdul Aziz Ali, conhecido como Ammar al-Baluchi e sobrinho de Khalid Sheikh Mohammed, apontado como responsável por auxiliar no financiamento da operação e pela matrícula dos envolvidos em uma escola de aviação;


Mustafa Ahmad al-Hawsawi, acusado de fornecer dinheiro, cartões de crédito e roupas utilizadas pelos integrantes da operação.

 

Os quatro estão presos na Baía de Guantánamo, em Cuba, onde ocorrerá o julgamento perante um tribunal militar.

 

PROCESSO SE ARRASTA HÁ ANOS

 

A nova data do julgamento foi estabelecida pelo juiz militar tenente-coronel Michael Schrama, em decisão anunciada na quarta-feira (26). Ele é o quinto magistrado militar nomeado para conduzir o caso desde que os acusados foram formalmente indiciados, em 2012.

 

O processo enfrenta há anos uma série de disputas jurídicas relacionadas às provas, aos procedimentos pré-julgamento e às condições em que os acusados foram interrogados.

 

Um dos principais obstáculos envolve as confissões obtidas quando os homens estavam detidos em instalações da CIA. Segundo relatos e documentos do processo, eles foram submetidos a tortura, abusos e longos períodos de isolamento.

 

A acusação também utilizou argumentos relacionados à segurança nacional para impedir que determinados detalhes fossem apresentados aos advogados de defesa, o que gerou questionamentos sobre a condução do processo.

 

Os quatro acusados podem receber pena de morte caso sejam considerados culpados.

 

ACORDO PARA EVITAR PENA DE MORTE FOI REVERTIDO

 

Em 2024, Mohammed e outros dois réus chegaram a um acordo para se declarar culpados em troca de evitar a pena de morte. A medida chegou a ser aceita pelo responsável pela supervisão do tribunal de guerra de Guantánamo.

 

No entanto, o então secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, anulou o acordo em agosto daquele ano, após críticas de parlamentares republicanos.

 

Posteriormente, um tribunal de apelações dos EUA impediu que Mohammed e dois dos demais acusados concluíssem as confissões de culpa previstas no acordo.

 

A possibilidade de um julgamento continua sendo considerada complexa por especialistas, principalmente devido às controvérsias envolvendo o tratamento dado aos acusados durante os interrogatórios e a admissibilidade das provas obtidas naquele período.

 

OS ATAQUES DE 11 DE SETEMBRO

 

Em 11 de setembro de 2001, integrantes da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais. Dois deles foram lançados contra as torres do World Trade Center, em Nova York, enquanto outro atingiu o Pentágono, na Virgínia.

 

O quarto avião caiu em uma área rural da Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle da aeronave.

 

Os ataques deixaram aproximadamente 2.700 mortos e provocaram profundas mudanças na política de segurança dos Estados Unidos, além de desencadearem operações militares e uma longa busca por Osama bin Laden.

 

A prisão militar de Guantánamo foi inaugurada cerca de seis meses depois dos atentados. Atualmente, aproximadamente 15 prisioneiros permanecem no local.

 

COMO SERÁ O JULGAMENTO

 

O processo começará com a formação de um painel composto por militares, que exercerão a função equivalente à de um júri dentro do sistema de justiça militar.

 

Após a seleção dos integrantes, serão apresentadas as declarações iniciais e, em seguida, as provas da acusação. A defesa poderá apresentar contestações e moções relacionadas ao caso.

 

Depois da conclusão da apresentação das provas pelo Ministério Público, os advogados dos acusados terão prazo para apresentar suas próprias evidências e argumentos.

 

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Ao final, o tribunal deverá decidir sobre a responsabilidade dos réus e, caso haja condenação, será iniciada a fase de definição das penas. 

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