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Revista britânica aponta entraves estruturais e alerta para risco fiscal no Brasil
Foto: Reproduçao

Publicação afirma que privilégios no setor público e gastos previdenciários pressionam as contas e limitam o crescimento econômico.

A revista britânica The Economist publicou análise sobre a situação fiscal do Brasil e afirmou que a economia do país enfrenta entraves estruturais que comprometem seu potencial de crescimento. Segundo a reportagem, o cenário das contas públicas se deteriora e coloca o país em trajetória preocupante.

 

O ex-presidente do Banco Central do Brasil, Armínio Fraga, declarou à revista que o Brasil “não está na UTI, mas caminha para lá”, em referência à situação fiscal. A publicação destaca projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) segundo a qual a dívida pública bruta brasileira pode atingir 99% do PIB até 2030, ante 62% registrados em 2010.

 

Para além das despesas governamentais, a revista argumenta que interesses consolidados dentro do setor público exercem forte pressão sobre o orçamento. Segundo o texto, benefícios considerados excessivos e regras específicas favorecem determinados grupos, enquanto programas sociais acabam servindo de “cortina de fumaça” diante do peso estrutural dessas despesas.

 

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Fraga afirmou que, embora se considere um liberal clássico, não vê cortes em saúde e educação como prioridade. A análise da publicação enfatiza que os principais desafios estão nos gastos previdenciários e na complexidade do sistema tributário brasileiro este último com potencial de melhora a partir da reforma tributária já aprovada.

 

O texto compara o Brasil a outros países e destaca que, apesar de ter população relativamente jovem, o país destina parcela significativa do PIB às pensões, percentual próximo ao de nações com perfil demográfico mais envelhecido. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que essa proporção pode ultrapassar 12% do PIB nas próximas décadas.

 

A revista também observa que, embora o Brasil conte com cerca de 40 milhões de trabalhadores no setor privado e aproximadamente 13 milhões de servidores públicos, os gastos previdenciários entre os dois regimes são semelhantes. O Judiciário é apontado como um dos mais onerosos do mundo, representando cerca de 1,3% do PIB, além de decisões judiciais que impactam significativamente o orçamento federal.

 

Outro ponto destacado é o regime previdenciário dos militares, que se aposentam, em média, aos 55 anos, com benefícios integrais. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, defendeu reformas estruturais mais amplas, afirmando que é necessário rever privilégios e promover maior equidade no sistema.

 

Apesar da criação de um novo arcabouço fiscal pelo Congresso para controlar o déficit primário, a revista afirma que o mercado permanece cético quanto à sustentabilidade das contas públicas. Segundo a análise, sem mudanças profundas na Previdência, a desconfiança pode continuar limitando o crescimento econômico e ampliar o risco de estagnação.

 

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Ao concluir, a publicação sustenta que o futuro econômico do Brasil dependerá da disposição política para enfrentar interesses consolidados e implementar reformas consideradas sensíveis, especialmente no campo previdenciário. 

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