Monitoramento aponta queda gradual no nível das águas, dentro do comportamento esperado para esta época do ano.
O Rio Negro entrou oficialmente no período de vazante em Manaus, mas o nível das águas continua dentro dos padrões considerados normais para esta época do ano. As informações são do monitoramento realizado pelo Porto de Manaus e por especialistas do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA).
Os dados indicam que o rio interrompeu o processo de cheia no dia 22 de junho, permaneceu estável por alguns dias e, desde 3 de julho, passou a registrar queda contínua, com redução média de cerca de dois centímetros por dia. Até a última sexta-feira (10), já eram oito dias consecutivos de descida do nível das águas.
Segundo o meteorologista Leonardo Vergasta, o comportamento observado faz parte do ciclo hidrológico natural da Amazônia e também é registrado em outros importantes rios da região, como Solimões, Madeira, Purus, Juruá e Amazonas.
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De acordo com o especialista, não há, até o momento, qualquer indicativo de que a vazante esteja ocorrendo de forma acelerada ou fora da normalidade. As estações hidrológicas monitoradas seguem dentro dos parâmetros esperados, sem impactos para a navegação, o abastecimento de comunidades ribeirinhas, o transporte fluvial ou a saúde pública.
Vergasta explica que as oscilações fazem parte do comportamento natural dos rios amazônicos e não representam, neste momento, motivo de preocupação.
Embora o fenômeno El Niño já tenha sido identificado com intensidade entre fraca e moderada, seus efeitos ainda não são percebidos de forma significativa no Amazonas. A expectativa é de que os primeiros impactos apareçam entre o fim de agosto e o início de setembro, com aumento das temperaturas, redução das chuvas e intensificação gradual da vazante. O fenômeno deve ganhar mais força entre setembro e outubro.
Apesar da possibilidade de uma vazante mais acentuada ao longo dos próximos meses, os estudos realizados pelo LabClim-UEA indicam que o cenário atual é mais favorável do que o registrado durante as secas históricas de 2023 e 2024.
Segundo o meteorologista, as projeções apontam para uma redução importante no nível dos rios, mas, até agora, não há indícios de que 2026 repita os recordes negativos observados nos últimos anos.
Enquanto o Amazonas permanece em situação estável, a maior preocupação dos pesquisadores está voltada para o estado do Acre, especialmente na região de Brasiléia, onde o monitoramento já registra sinais de estiagem mais intensa.
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Após as secas históricas que afetaram a Amazônia recentemente, o comportamento do Rio Negro continua sendo acompanhado de perto por pesquisadores e autoridades. Mesmo com a atenção voltada para a evolução do El Niño, especialistas reforçam que os indicadores hidrológicos seguem dentro da normalidade e que, neste momento, não há previsão de impactos significativos para Manaus e demais municípios banhados pelo Rio Negro.