O impasse financeiro envolvendo o transporte coletivo de Manaus ganhou novos desdobramentos após representantes das empresas de ônibus e o prefeito Renato Júnior apontarem o Governo do Amazonas como responsável por uma dívida relacionada ao Passe Livre Estudantil da rede estadual. Segundo os números apresentados pelas partes, o valor acumulado pode chegar a aproximadamente R$ 90 milhões.
As declarações ocorreram em meio à crise que resultou em atrasos salariais dos rodoviários, paralisação do serviço e intervenção da Justiça do Trabalho. Os valores e responsabilidades citados refletem os posicionamentos do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e da Prefeitura de Manaus, sendo tema de discussão judicial.
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DÍVIDA TERIA ORIGEM NO PASSE LIVRE ESTUDANTIL
De acordo com o Sinetram, o problema começou após mudanças na forma de custeio do benefício concedido aos estudantes da rede estadual de ensino.
Mesmo sem um acordo definitivo entre Governo do Estado, Prefeitura de Manaus e empresas de transporte, os alunos continuaram utilizando os ônibus normalmente. Segundo o sindicato, o serviço foi mantido para evitar prejuízos aos estudantes, mas os valores referentes aos embarques não teriam sido pagos integralmente.
As empresas afirmam que uma decisão judicial determinou que o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e o sindicato patronal autorizassem a venda direta dos créditos estudantis ao Governo do Amazonas pelo valor de R$ 2,50 por passagem. Na interpretação do setor, caberia ao Estado adquirir os créditos e informar quais alunos seriam beneficiados pelo programa.
O Sinetram sustenta que esse modelo não foi executado integralmente, o que teria provocado o acúmulo da dívida.
SISTEMA MONITORA UTILIZAÇÃO DOS CARTÕES
Durante apresentação à imprensa, o sindicato informou que mais de 153 mil estudantes foram cadastrados pelo Governo do Amazonas para utilizar o benefício.
Segundo a entidade, esse número não representa a quantidade de alunos que efetivamente utilizam o transporte todos os meses. Os dados apresentados indicam que cerca de 37 mil estudantes utilizaram o sistema em fevereiro. Nos meses seguintes, a média teria variado entre 42 mil e 45 mil usuários.
O controle é realizado por meio dos cartões estudantis, permitindo o registro de informações como CPF, nome do aluno, instituição de ensino e quantidade de embarques realizados.
O sindicato destacou, porém, que consegue monitorar apenas a utilização do cartão, não tendo acesso ao controle de frequência escolar dos estudantes, responsabilidade que seria das instituições de ensino.
EMPRESAS APONTAM DÉBITOS DE 2025 E 2026
Segundo os números divulgados pelo Sinetram, o transporte dos estudantes da rede estadual gerou um custo aproximado de R$ 52 milhões em 2025. Desse total, cerca de R$ 31,8 milhões teriam sido pagos, restando um saldo pendente de aproximadamente R$ 21 milhões.
Para 2026, a entidade afirma que os custos mensais variaram entre R$ 4 milhões e R$ 4,9 milhões. Somente entre fevereiro e junho deste ano, a dívida acumulada teria alcançado cerca de R$ 44,6 milhões.
Considerando outros valores relacionados ao período em discussão, o sindicato afirma ter um crédito de R$ 90.184.740,19 a receber.
As empresas também argumentam que o valor de R$ 2,50 por passagem não é suficiente para cobrir despesas operacionais, como salários, combustível, manutenção, pneus e reposição de peças, tornando necessária a complementação por meio de recursos públicos.
PREFEITURA AFIRMA ESTAR EM DIA COM OS PAGAMENTOS
O prefeito Renato Júnior afirmou que a Prefeitura de Manaus está cumprindo integralmente suas obrigações financeiras relacionadas ao transporte coletivo.
Segundo ele, somente em 2026 o município já destinou aproximadamente R$ 278 milhões ao sistema, incluindo os subsídios e os custos relacionados ao transporte dos estudantes da rede municipal.
O prefeito declarou ainda que possui comprovantes bancários dos pagamentos efetuados e que os documentos podem ser apresentados publicamente.
Renato Júnior também afirmou que tentou estabelecer diálogo com o governador Roberto Cidade para discutir a questão, mas não obteve avanços nas negociações.
“O Governo do Estado está devendo o repasse do passe livre dos alunos estaduais. A Prefeitura não deve o benefício dos estudantes municipais”, declarou.
CRÍTICAS AO GOVERNO DO ESTADO
Durante a coletiva, o prefeito elevou o tom das críticas e acusou o Governo do Amazonas de não assumir a responsabilidade pelo custeio do transporte dos alunos matriculados na rede estadual.
Renato Júnior garantiu que não permitirá a suspensão da gratuidade dos estudantes e cobrou que o Estado apresente comprovantes de eventuais pagamentos realizados ao sistema.
Segundo ele, qualquer alteração no Passe Livre Estudantil afeta diretamente milhares de famílias manauaras que dependem diariamente do transporte público.
EMPRESAS ALERTAM PARA RISCO DE COLAPSO
O Sinetram afirma que as empresas do setor vêm recorrendo a empréstimos bancários, renegociação de dívidas e utilização de recursos próprios para manter os ônibus em circulação e garantir o pagamento dos trabalhadores.
De acordo com a entidade, o sistema opera atualmente no limite financeiro e corre risco de enfrentar novas dificuldades caso os valores cobrados não sejam quitados.
O sindicato defende uma solução negociada entre Governo do Amazonas, Prefeitura de Manaus, empresas e representantes dos trabalhadores para evitar novos atrasos salariais e paralisações do transporte coletivo.
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Até o momento, o Governo do Amazonas não apresentou uma resposta detalhada sobre o valor de R$ 90 milhões citado pelo Sinetram nem sobre as acusações feitas pelo prefeito e pelos representantes das empresas de ônibus.