Sede do BRB, em Brasília
O clima é de tensão total nos bastidores do Banco de Brasília. A instituição surpreendeu o mercado ao cancelar, de última hora, a assembleia de acionistas que aconteceria nesta quarta-feira e que decidiria um aumento de capital considerado crucial.
Por trás da decisão, está um cenário preocupante que envolve perdas bilionárias e risco direto de sanções do Banco Central do Brasil. O banco precisa apresentar uma solução concreta até o dia 31 de março, prazo final para divulgar seu balanço, ou pode sofrer punições pesadas.
O problema gira em torno de ativos recebidos do Banco Master, após a substituição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sob suspeita de fraude. A conta não fecha e pode obrigar o banco a reconhecer perdas gigantescas.
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Em comunicado, o BRB alegou que a suspensão ocorreu por “caráter prudencial”, citando uma decisão judicial liminar que exige mais análises antes de qualquer decisão. Nos bastidores, o movimento é visto como uma tentativa de ganhar tempo diante da gravidade da situação.
Estimativas internas apontam que o banco pode ter que reservar cerca de R$ 8,8 bilhões para cobrir prejuízos. Isso pode levar a um cenário crítico onde as dívidas superam os ativos, algo que fere regras do sistema bancário e exige correção imediata.
Para tentar tapar o rombo, a expectativa é de um aporte pesado do controlador, o Governo do Distrito Federal, que pode chegar a R$ 6,6 bilhões. Sem dinheiro em caixa, a saída encontrada foi recorrer a bens públicos.
A gestão de Ibaneis Rocha aposta em uma lei que permite usar imóveis públicos para socorrer o banco, seja transferindo esses bens ou vendendo para gerar receita.
A situação ganhou ainda mais drama após uma decisão judicial barrar essa alternativa. Mas o alívio veio rápido. O governo conseguiu reverter a liminar após recorrer ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.
Ao analisar o caso, o desembargador Roberval Belinati destacou a importância do BRB para a economia local e defendeu que o Executivo e o Legislativo têm mais condições de decidir sobre o assunto do que o Judiciário.
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Mesmo com essa vitória, o cenário segue delicado e cheio de incertezas. O banco corre contra o tempo para evitar um colapso financeiro que pode ter efeitos devastadores.