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Meio Ambiente
Saberes ancestrais ganham destaque como aliados no combate à crise climática
Foto: Divulgação

Comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas defendem valorização de práticas tradicionais como ferramenta de preservação ambiental e resistência climática.

Representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e grupos periféricos defenderam o fortalecimento dos saberes tradicionais como parte fundamental das estratégias de enfrentamento à crise climática e preservação da biodiversidade no Brasil.

 

O debate aconteceu durante o painel “Saberes tradicionais e soluções climáticas”, realizado na 6ªedição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da Cultura, em Aracruz.

 

Durante o encontro, lideranças comunitárias e especialistas ressaltaram que práticas ancestrais ligadas ao cuidado com a terra, manejo sustentável e proteção dos recursos naturais já oferecem respostas concretas para os impactos das mudanças climáticas.

 

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Representante da comunidade tradicional Fundo de Pasto Várzea Grande, localizada em Oliveira dos Brejinhos, Edvando Vieira destacou que os conhecimentos produzidos pelas comunidades precisam ser mais reconhecidos e financiados.

 

“Os territórios já possuem soluções. O que falta é garantir que os recursos cheguem às comunidades que historicamente cuidam do meio ambiente”, afirmou.

 

Segundo os participantes, os saberes tradicionais vão além da preservação cultural e representam verdadeiras tecnologias sociais e ambientais capazes de fortalecer a resiliência das populações diante da emergência climática.

 

A coordenadora de Temas Transversais do Ministério da Cultura, Carla Craice, ressaltou que o governo vem ampliando o conceito de política cultural ao incorporar conhecimentos ancestrais nas estratégias ambientais.

 

“A sustentabilidade já faz parte desses modos de vida há séculos. Esses conhecimentos precisam ocupar espaço central nas ações climáticas”, afirmou.

 

ALDEIA TUPINIKIM APRESENTA EXPERIÊNCIAS DE PRESERVAÇÃO

 

Durante a programação da Teia, visitantes também conheceram o projeto “Memória das Águas: Vivências Tupinikim na Aldeia Comboios”, iniciativa voltada à preservação ambiental, fortalecimento cultural e conscientização ecológica.

 

A comunidade fica localizada em Aracruz e reúne cerca de 950 moradores ao longo da península da Aldeia Comboios.

 

Aracruz (ES), 20/05/2026 – Participantes da Teia Nacional dos Pontos de Cultura fazem visita à aldeia Tupinikim de Comboios como parte da programação do encontro, em Aracruz (ES). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

O vice-presidente da Associação Indígena Tupiniquim de Comboios, Hudson Coutinho, explicou que os projetos desenvolvidos incluem ações de reflorestamento, preservação do manguezal e combate ao descarte irregular de lixo.

 

“Esses ensinamentos vêm dos nossos ancestrais. Aprendemos a respeitar e proteger o meio ambiente porque ele faz parte da nossa sobrevivência enquanto povo indígena”, disse.

 

Aracruz (ES), 21/05/2026 – O presidente da Associação Tupinikim de Comboios, Jocinaldo Coutinho durante visita à comunidade, evento faz parte da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

A aldeia também carrega as consequências do rompimento da barragem de Mariana, ocorrido em 2015, em Mariana. O desastre afetou diretamente a pesca, o cultivo e a coleta de mariscos na região.

 

O cacique Jocinaldo Coutinho afirmou que abrir as portas da comunidade para atividades de conscientização é uma forma de reinventar práticas sem abandonar as tradições.

 

Aracruz (ES), 21/05/2026 – O vice-presidente da Associação Tupinikim de Comboios, Hudson Coutinho durante visita à comunidade, evento faz parte da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Foto: Reprodução

 

“Seguimos preservando nossa cultura enquanto buscamos caminhos para enfrentar os impactos ambientais que atingiram nosso território”, declarou.

 

Já a diretora executiva da organização C de Cultura, Mariana Resegue, alertou que o reconhecimento desses saberes ainda precisa avançar em políticas públicas permanentes.

 

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“Sem financiamento e sem mecanismos de governança, corremos o risco de transformar essas pautas apenas em discurso, sem mudanças concretas”, avaliou. 

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