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Sal em excesso vai além da pressão alta e acelera danos às artérias, apontam estudos
Foto: Reprodução

Pesquisas indicam que consumo elevado de sódio pode favorecer inflamações, placas de gordura nos vasos e aumentar o risco cardiovascular

Presença quase obrigatória na cozinha, o sal é conhecido por realçar sabores, intensificar aromas e prolongar a conservação dos alimentos. No entanto, seu impacto na saúde cardiovascular vai além da já conhecida relação com a hipertensão. Evidências científicas recentes indicam que o consumo excessivo de sal também contribui para a aterosclerose processo caracterizado pela formação de placas de gordura nas artérias, que dificulta o fluxo sanguíneo e eleva o risco de infarto e outras doenças do coração.

 

Essa associação foi reforçada por uma revisão de mais de cem estudos científicos publicada em novembro na revista Nutrients. Segundo a nutricionista Valéria Machado, pesquisadora da área de Lípides e Aterosclerose da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os dados apontam um elo direto entre a ingestão elevada de sal e alterações vasculares. Entre os mecanismos envolvidos estão danos ao endotélio, camada celular que reveste o interior dos vasos, comprometendo sua elasticidade e favorecendo processos inflamatórios. Há ainda indícios de que o excesso de sal interfere na microbiota intestinal, como observa a nutricionista Isis Avelino, do Hospital Israelita Albert Einstein.

 

De acordo com os pesquisadores ligados a universidades da Polônia e da Austrália, dietas ricas em sal podem provocar disbiose intestinal, um desequilíbrio das bactérias do intestino. Esse quadro estimula a produção do N-óxido de trimetilamina (TMAO), substância associada ao acúmulo de gordura nas artérias e ao avanço da aterosclerose. O alerta, no entanto, não é para eliminar o sal da alimentação, mas evitar exageros. Em quantidades adequadas, o cloreto de sódio é essencial ao organismo e desempenha funções importantes, inclusive históricas, como a conservação de alimentos antes da popularização da refrigeração.

 

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No Brasil, o consumo preocupa: enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda até 5 ou 6 gramas de sal por dia, a média nacional chega a cerca de 12 gramas diárias. Reduzir esse hábito exige adaptação gradual do paladar. Especialistas recomendam diminuir o sal aos poucos, já que as papilas gustativas precisam de tempo para se acostumar a sabores menos intensos. Estratégias simples no preparo das refeições ajudam nesse processo, como o uso de ervas frescas e especiarias, que acrescentam aroma e sabor sem elevar o teor de sódio.

 

Alecrim, sálvia, manjericão, orégano, coentro e cebolinha podem substituir parte do sal em diferentes pratos, além de oferecer compostos antioxidantes e anti-inflamatórios. Misturas conhecidas como “sal de ervas” também são uma alternativa, desde que usadas com moderação. Alho, cebola, pimentas e até o uso de limão contribuem para realçar o gosto dos alimentos e reduzir a necessidade de sal. Até versões consideradas “gourmet”, como o sal rosa do Himalaia ou a flor de sal, merecem cautela: estudos mostram que o teor de sódio é semelhante ao do sal refinado comum.

 

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Outro ponto crucial é a atenção aos alimentos industrializados, especialmente os ultraprocessados, como salgadinhos, embutidos, macarrão instantâneo e temperos prontos, que concentram grandes quantidades de sódio. A leitura dos rótulos agora mais clara com o aviso de “alto em sódio” é uma aliada importante. Por fim, especialistas reforçam que a proteção do coração depende de um conjunto de hábitos: alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do estresse e sono de qualidade. 

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