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Salmões podem parecer ‘zumbis’ durante reprodução; entenda o que acontece com os peixes
Foto: Divulgação

Durante a migração para os rios onde nasceram, os animais podem passar semanas sem se alimentar e consumir as próprias reservas de energia para desovar; em algumas espécies, os adultos morrem após a reprodução

Conhecidos por fazer parte da alimentação de milhões de pessoas, os salmões também chamam a atenção por um dos ciclos reprodutivos mais impressionantes da natureza. Durante a migração de volta aos rios onde nasceram, especialmente entre as espécies do Pacífico, os peixes passam por mudanças físicas intensas que podem deixá-los com uma aparência debilitada, semelhante à de um “zumbi”.

 

O ciclo de vida começa em água doce, onde os filhotes, chamados de alevinos, nascem e passam os primeiros anos de desenvolvimento. Quando crescem, muitos salmões migram para o mar, ambiente em que se alimentam e acumulam energia para a fase adulta.

 

O retorno aos rios ocorre quando chega o período de reprodução. Nessa etapa, os animais percorrem longas distâncias e enfrentam correntezas, obstáculos e mudanças de temperatura até alcançar as regiões adequadas para a desova.

 

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POR QUE OS SALMÕES FICAM PARECIDOS COM ZUMBIS?

 

Durante a vida no mar, os salmões acumulam reservas corporais, principalmente de gordura, que serão utilizadas durante a migração reprodutiva. Quando iniciam a jornada de volta aos rios, muitas espécies reduzem drasticamente ou interrompem a alimentação.

 

“Durante o período em que vivem no mar, os salmões se alimentam e acumulam reservas corporais, principalmente de gordura, que serão utilizadas durante a migração reprodutiva. Em muitas espécies, a alimentação diminui drasticamente ou é interrompida nessa fase, e o organismo passa a consumir a energia armazenada”, explica o biólogo Daniel Segalot, do Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú, Santa Catarina.

 

Sem ingerir alimentos, os peixes passam a utilizar as reservas de energia e mobilizam recursos do próprio organismo para sustentar o esforço físico da viagem. O desgaste, somado às alterações fisiológicas da reprodução, pode provocar mudanças expressivas na aparência dos animais.

 

“Eles ficam com uma aparência debilitada que, associada à persistência do movimento, deu origem à comparação com zumbis”, afirma Segalot.

 

Segundo Rafael Santos, chefe do AquaFoz, no Paraná, o jejum está relacionado a uma mudança fisiológica que prioriza a reprodução. Não se trata apenas de um deslocamento por exaustão, mas de uma estratégia evolutiva que direciona a energia para a conclusão do ciclo reprodutivo.

 

“Em vez de investir energia no crescimento e na manutenção corporal, o peixe direciona seus recursos para nadar contra a correnteza, superar obstáculos, alcançar as áreas de desova e completar o ciclo reprodutivo”, explica Santos.

 

COMO OS SALMÕES ENCONTRAM O CAMINHO DE VOLTA?

 

Mesmo depois de passarem anos no mar, os salmões conseguem retornar aos rios em que nasceram. Uma das principais ferramentas utilizadas nessa orientação é o chamado imprinting olfativo, processo pelo qual os peixes aprendem a reconhecer características químicas e odores da água durante as primeiras etapas da vida.

 

Essas informações ficam associadas ao ambiente de origem e ajudam os animais a identificar o caminho de volta quando chega o período reprodutivo.

 

O reconhecimento dos sinais químicos da água é uma das estratégias que contribuem para a capacidade migratória dos salmões, um comportamento desenvolvido ao longo de milhares de anos de evolução.

 

POR QUE ALGUNS SALMÕES MORREM DEPOIS DE SE REPRODUZIR?

 

Ao chegar às áreas de desova, as fêmeas depositam os ovos, que são fertilizados externamente pelos machos. Depois da reprodução, o destino dos adultos varia conforme a espécie.

 

Em muitas espécies de salmão-do-Pacífico, os peixes se reproduzem apenas uma vez e morrem após a desova. O desgaste da migração e as mudanças fisiológicas associadas à reprodução contribuem para esse desfecho.

 

Já o salmão-do-Atlântico pode sobreviver à primeira reprodução e realizar novas migrações reprodutivas.

 

“Em muitas espécies de salmões-do-Pacífico, os adultos se reproduzem uma única vez e morrem após a desova, enquanto outras espécies, como o salmão-do-Atlântico, podem sobreviver à reprodução e realizar novas migrações”, ressalta Santos.

 

PEIXES MORTOS TAMBÉM CONTRIBUEM PARA O ECOSSISTEMA

 

Apesar do desgaste e da mortalidade após a reprodução em algumas espécies, o ciclo dos salmões tem um papel importante para o equilíbrio ambiental.

 

Ao migrar do mar para os rios, os animais transportam nutrientes entre esses ambientes. Quando morrem, seus corpos podem servir de alimento para outros organismos e contribuir para a circulação de nutrientes nos ecossistemas de água doce.

 

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Assim, a jornada reprodutiva dos salmões não representa apenas a continuidade da espécie, mas também um processo ecológico que ajuda a sustentar outras formas de vida. 

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