Desfiles tiveram homenagens a Lula e Ney Matogrosso, críticas a Bolsonaro e apresentações marcadas por inovação e emoção.
A primeira noite do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, foi marcada por manifestações políticas, celebrações culturais e apresentações de forte impacto visual.
A abertura ficou por conta da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O público iniciou a noite entoando o tradicional “Olê, olê, olá, Lula”, que também integrou o samba-enredo. O desfile destacou a trajetória política do petista e trouxe críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como o personagem “Bozo”, inclusive em uma alegoria atrás das grades.
Lula acompanhou a apresentação de um camarote, ao lado da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do prefeito Eduardo Paes. Durante o desfile, ele desceu à pista para cumprimentar integrantes da escola. A encenação gerou questionamentos da oposição, que acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O tribunal rejeitou pedidos para impedir a homenagem, mas alertou para possíveis irregularidades.
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IMPERATRIZ EMOCIONA COM TRIBUTO A NEY MATOGROSSO
Na sequência, a Imperatriz Leopoldinense levou à avenida uma celebração à carreira de Ney Matogrosso, de 84 anos. O artista desfilou em um figurino luxuoso, repleto de cristais verdes e detalhes dourados, e participou ativamente da apresentação.
O enredo percorreu diferentes fases de sua trajetória, incluindo referências ao grupo Secos e Molhados, ao álbum “Bandido” e à canção “Sangue Latino”. Alegorias destacaram sua postura transgressora e resistência durante a ditadura militar. Um lobisomem de 20 metros chamou atenção pelos efeitos visuais, apesar de um breve problema técnico. O ponto alto foi a entrada de Ney na última alegoria, quando cantou e dançou, emocionando o público.
A escola precisou reorganizar a ordem dos carros na concentração para que o cantor acompanhasse melhor a evolução do desfile. Mesmo com pequenas intercorrências técnicas, a apresentação ocorreu dentro do tempo previsto.
PORTELA APOSTA EM TRADIÇÃO E TECNOLOGIA
Terceira a desfilar, a Portela entrou na avenida com cerca de 40 minutos de atraso, após decisão da Liesa, em razão de problemas na dispersão da escola anterior. A agremiação pode perder pontos no quesito evolução, já que o último carro alegórico atrasou e a ala final iniciou o desfile sem a alegoria correspondente.
Com enredo sobre a realeza negra no Rio Grande do Sul, a escola contou a história de Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio, figura central do batuque no estado. A Portela resgatou sua tradicional águia branca em posição de voo e surpreendeu ao investir em tecnologia: a comissão de frente apresentou um integrante “flutuando” sobre a pista com auxílio de um grande drone, enquanto fantasias e carros utilizaram iluminação em LED.
MANGUEIRA CELEBRA MESTRE SACACA E A AMAZÔNIA NEGRA
Já a Estação Primeira de Mangueira foi uma das mais impactantes da noite. A verde e rosa homenageou Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, líder amapaense retratado como guardião da “Amazônia Negra”.
O enredo percorreu cinco “encantos”, passando por rituais indígenas do Turé, conexões entre povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, medicina ancestral e manifestações culturais do Amapá, como o Marabaixo e o Batuque. O desfile culminou na transformação simbólica de Sacaca em elemento da natureza.
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Um dos destaques foi o carro “Engarrafa a Cura, Vem Alumiar”, que espalhou aromas de ervas medicinais pela Sapucaí e exaltou o homenageado como “doutor da floresta”. Com fantasias bem-acabadas, paradinhas estratégicas e cores vibrantes, a Mangueira consolidou-se como um dos momentos mais marcantes da noite.