Pesquisa projeta estiagens menos frequentes, porém mais prolongadas e severas nas próximas décadas. Resultados apontam maior risco para a segurança hídrica, mas não indicam que haverá falta de água
Um estudo realizado por pesquisadores da UERJ e da Funceme aponta que as secas na Bacia do Rio Paraíba do Sul, uma das principais fontes de água do Sudeste, poderão ficar mais longas e severas nas próximas décadas. Em algumas regiões, períodos de estiagem que historicamente duravam meses podem se aproximar de dois anos até o fim do século.
A bacia é considerada estratégica para o abastecimento de milhões de pessoas e envolve áreas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Suas águas também são transferidas para outros sistemas, ampliando a importância do rio para o fornecimento de água em grandes centros urbanos.
Um dos cenários mais preocupantes aparece em Paraibuna (SP). Segundo as projeções, a duração média das secas na região, que historicamente fica próxima de oito meses, poderá chegar a 1,82 ano entre 2061 e 2100, o equivalente a quase 22 meses de estiagem.
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Os pesquisadores destacam que o problema não significa necessariamente que as secas ocorrerão com maior frequência. A tendência apontada é de que, quando acontecerem, elas possam ser mais prolongadas e provocar déficits de chuva mais intensos, aumentando a pressão sobre reservatórios e sistemas de abastecimento.
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As projeções são um alerta para o futuro e não representam a previsão de uma seca específica. O estudo mostra como as mudanças climáticas podem transformar o comportamento das estiagens e aumentar os desafios para o abastecimento de grandes cidades. Em São Paulo, o Sistema Cantareira já apresenta queda no volume armazenado, enquanto autoridades monitoram a situação para evitar uma nova crise hídrica.