Oposição acusa Trump de buscar afeição de um criminoso como Putin; Kremlin aponta para mudanças nas configurações da política externa
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, ordenou ao Comando Cibernético dos Estados Unidos uma pausa nas operações cibernéticas ofensivas e nas operações de informação contra a Rússia, disse uma fonte familiarizada com o assunto à NBC News. Hegseth deu a ordem ao chefe do comando, o general da Força Aérea Tim Haugh, no final de fevereiro. Não está claro por quanto tempo a ordem ficará válida.
Funcionários da Defesa se recusaram a comentar a recente decisão com a imprensa devido a “preocupações de segurança operacional”. A Agência de Cibersegurança e Infraestrutura de Segurança do país, que faz parte do guarda-chuva do Departamento de Segurança Interna, disse em comunicado que sua missão é “defender contra todas as ameaças cibernéticas à infraestrutura crítica dos Estados Unidos, incluindo a Rússia”, indicando que “não houve alteração em nossa postura”.
Representantes do Comando Cibernético dos EUA e da Embaixada da Rússia não comentaram o assunto até a última atualização deste texto.
Veja também

Morre australiano doador de sangue raro que salvou 2 milhões de bebês
Homem de 52 anos morre após cair de asa delta em Santa Catarina
A nova medida ocorre enquanto o presidente Donald Trump busca restabelecer canais diplomáticos com seu homólogo russo, Vladimir Putin. Nos últimos dias, Washington restaurou a equipe da sede diplomática em Moscou e trabalhou para encerrar rapidamente a guerra na Ucrânia. Funcionários dos EUA também iniciaram negociações de paz com representantes russos no mês passado.
Ao mesmo tempo, a relação de Trump com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chegou a um impasse na última sexta-feira, após um bate-boca televisionado no Salão Oval entre os dois líderes e o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. Depois da reunião, que foi amplamente criticada pela comunidade internacional pela postura do republicano, Trump repreendeu Zelensky por sua crítica persistente a Putin, afirmando que o ucraniano deve querer “fazer a paz”.
— Ele não precisa ficar lá dizendo: ‘Putin isso, Putin aquilo’, só coisas negativas. Ele tem que dizer que quer fazer a paz. Eu não quero mais uma guerra — disse Trump na sexta-feira.
O fracasso da reunião atrasou a assinatura de um acordo que teria concedido aos EUA uma participação significativa nas reservas minerais e terras raras (grupo de metais usados em setores de alta tecnologia) da Ucrânia. No domingo, Zelensky disse à rede britânica BBC que está pronto para assinar o acordo, que deveria ser um passo para ajudar a acabar com o conflito na região. Ele também disse estar disposto a ter um “diálogo construtivo” com Washington.
— Eu só quero que a posição ucraniana seja ouvida. Queremos que nossos parceiros se lembrem de quem é o agressor nesta guerra.
‘ERRO ESTRATÉGICO CRÍTICO’
O líder da minoria no Senado, o democrata Chuck Schumer, disse também no domingo que a decisão da nova administração de interromper as operações cibernéticas ofensivas contra a Rússia é uma tentativa de Trump de conquistar Putin. No ano passado, o governo de Joe Biden rotulou a Rússia como uma “ameaça cibernética global duradoura”, apontando para ataques contra agências do governo americano e think tanks pelo Serviço de Inteligência Externa da Rússia.
— Trump está tão desesperado para conquistar a afeição de um criminoso como Putin que parece estar dando uma carta branca a ele, enquanto a Rússia continua lançando operações cibernéticas e ataques de ransomware (tipo de malware que sequestra dados confidenciais) contra a infraestrutura crítica dos EUA, ameaçando nossa segurança econômica e nacional. É um erro estratégico crítico para Donald Trump desarmar-se unilateralmente contra Putin.
Em 2024, o escritório do diretor de Inteligência Nacional escreveu que Moscou vê as “interrupções cibernéticas como uma alavanca de política externa para moldar as decisões de outros países”, refinando e empregando “continuamente suas capacidades de espionagem, influência e ataque contra uma variedade de alvos”. O órgão ainda alertou que a Rússia mantém sua capacidade de “atacar infraestrutura crítica, incluindo cabos submarinos e sistemas de controle industrial, tanto nos EUA quanto em países aliados e parceiros”.
Em novembro passado, a Microsoft afirmou que a Rússia havia intensificado suas operações cibernéticas, visando principalmente a Ucrânia e os países da Otan, a aliança militar do Ocidente. Na ocasião, a empresa declarou que Moscou se concentrou em “acessar e roubar informações de combatentes ucranianos e dos parceiros internacionais que lhes fornecem armas”, acrescentando que as técnicas empregadas poderiam causar “danos não intencionais”.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O relatório da Microsoft também destacou as operações cibernéticas russas destinadas a influenciar as eleições presidenciais dos Estados Unidos no último ano, um esforço que resultou em sanções pela administração Biden.
Fonte: O Globo