Seminário na UFAM reuniu sobreviventes, familiares e movimentos sociais, que denunciaram a demora nas investigações e o clima de medo vivido pelas comunidades.
Seis anos após o massacre ocorrido na região dos rios Abacaxis e Mari-Mari, no sul do Amazonas, familiares das vítimas e moradores das comunidades voltaram a cobrar respostas do poder público durante um seminário realizado na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus.
O encontro, promovido pelo Coletivo dos Abacaxis com apoio do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), foi marcado por momentos de emoção durante a leitura dos nomes das pessoas assassinadas e do desaparecido no episódio registrado em agosto de 2020.
Moradores relataram que o medo permanece presente na rotina das comunidades de Nova Olinda do Norte e Borba. Segundo os depoimentos apresentados no seminário, muitas famílias ainda convivem com traumas psicológicos, evitam atividades cotidianas e temem novas ações violentas na região.
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Em maio de 2025, a Polícia Federal concluiu parte das investigações e indiciou 13 pessoas por homicídio e violações de direitos humanos relacionadas ao caso. Apesar do avanço, familiares afirmam que ainda aguardam a responsabilização dos executores e dos mandantes, além de medidas de reparação às vítimas.
Representantes de órgãos públicos convidados para o debate não compareceram ao evento. A defensora pública da União, Fabiana Nunes Henrique Silva, participou de forma remota e reconheceu que o caso ainda carece da atenção necessária, comprometendo-se a dialogar com a Defensoria Pública da União no Amazonas sobre demandas pendentes, como a devolução de celulares apreendidos durante a operação policial.
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Durante o seminário, organizações indígenas, indigenistas e movimentos populares reafirmaram o compromisso de manter viva a memória do massacre e de pressionar por justiça. Ao fim da programação, foi aprovada uma carta-manifesto que exige a responsabilização dos envolvidos, reparação às vítimas e ações que impeçam a repetição de violações semelhantes no Amazonas.