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02/12/2019

Seis policiais militares envolvidos em ação que resultou em 9 mortes em Paraisópolis são afastados das ruas

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Foto: Reprodução

Segundo comandante da PM, eles estão preservados. As nove mortes são investigadas como suspeitas provocadas em um acidente. Não há registro de que sejam classificadas como Morte Decorrente de Intervenção Policial (MDIP).

Seis policiais militares envolvidos na ocorrência que resultou na morte de nove pessoas na madrugada deste domingo (1) em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, foram afastados do trabalho na rua nesta segunda-feira (2). Elas foram mortas pisoteadas durante a ação da Polícia Militar em um baile funk.

 

"Os policiais estão preservados. Temos que concluir o inquérito. Eles continuarão nas unidades em serviços administrativos no mesmo horário deles fazendo outras coisas porque é uma área complexa, a área da primeira companhia é uma área complexa. Havendo um outro evento parecido eles poderão ser prejudicados. Então eles estão sendo preservados", disse o comandante da Polícia Militar do estado de São Paulo, coronel Marcelo Vieira Salles.

 

Segundo Benedito Mariano, ouvidor da Polícias, a Corregedoria da PM vai analisar quais policiais serão afastados do trabalho nas ruas. "No primeiro momento da ocorrência sim, foram seis policiais militares, mas cabe ao corregedor analisar e definir quem será afastado".

 

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O porta-voz da PM, tenente-coronel Emerson Massera disse, em entrevista coletiva no domingo, que 38 policiais participaram da ação no baile funk e que resultou na morte de nove pessoas.

 

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu, em nota, "prioridade máxima das instituições competentes no governo do estado, para que apurem com rigor os acontecimentos em Paraisópolis, assim como modifiquem os procedimentos de intervenção policial, para que sejam evitadas mais mortes".

 

Segundo o boletim de ocorrência registrado no 89° DP (Portal do Morumbi), as nove mortes são investigadas como suspeitas provocadas em um acidente. Não há registro de que sejam classificadas como Morte Decorrente de Intervenção Policial (MDIP).

 

A Polícia Militar alega que as mortes ocorreram depois de uma perseguição policial seguida de tiros, mas moradores disseram que houve uma emboscada da polícia.

 

Além disso, o boletim explicita que os policiais sofreram tentativa de homicídio. O boletim também registrou uma lesão corporal porque uma mulher foi internada com ferimento na perna que teria sido causado por arma de fogo. As armas dos policiais foram apreendidas para exame balístico, se necessário.

 

O boletim só traz a versão de seis policiais do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), que realizavam uma Operação Pancadão na comunidade.

 

Os seis foram submetidos a exames residuográficos para identificar eventuais vestígios de pólvora nas mãos. Isso é feito para descobrir se os PMs atiraram com arma de fogo durante o tumulto.

 

Segundo eles, um grupo de policiais em motos estava na Avenida Hebe Camargo na altura do cruzamento com a Rua Rodolf Lotze. Eles foram surpreendidos por uma moto XT 660 de cor preta, que passou pelo meio do comboio policial.

 

Depois, ainda de acordo com a PM, um dos ocupantes da moto atirou contra os policiais, que perseguiram a moto até o local onde ocorria o baile funk, na rua Ernest Renan, onde foram hostilizados pelo público. Por isso, os agentes afirmam que foi necessário o "uso moderado da força" ao usar o cassetete e munição química para dispersar a multidão. As pessoas fugiram para vielas e foram pisoteadas, segundo os policiais.

 

Já os moradores dizem que a a polícia entrou na comunidade e fechou as esquinas da Rua Ernest Renan com a Rua Herbert Spencer e Rodolf Lotze. Depois, os policiais atiraram bombas de gás e balas de borracha, jogaram garrafas, bateram com cassetetes e usaram sprays de pimenta na multidão e muitos jovens entraram em vielas e foram pisoteados.

 

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A investigação da Polícia Civil que estava a cargo do 89° DP, ficará com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

 

G1

 

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