Decisão do Copom desta quarta marca a sexta alta consecutiva em meio a um cenário de inflação elevada e persistente
"Para a próxima reunião, o cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da política monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação."
O BC ainda acrescentou que "se manterá vigilante e a calibragem do aperto monetário apropriado seguirá guiada pelo objetivo de trazer a inflação à meta no horizonte relevante".
A nova alta da Selic já era amplamente esperada pelo mercado financeiro. Segundo pesquisa do Valor Pro com 124 instituições financeiras, 117 casas projetavam uma elevação dos juros de 0,50 pp, para 14,75%. Cinco aguardavam um aumento de 0,25pp, para 14,50%, e outras duas previam alta de 0,75 pp, para 15%.
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Crédito: Consignado para CLT chega a R$ 10 bi em empréstimos e atende 1,8 milhão de pessoas, diz Ministério do TrabalhoNa reunião anterior, em março, o BC já havia indicado que a Selic subiria no encontro de maio em um ritmo menor do que 1 pp, magnitude que vinha sendo adotada desde dezembro. Mas não especificou qual seria o tamanho escolhido.
"Diante da continuidade do cenário adverso para a convergência da inflação, da elevada incerteza e das defasagens inerentes ao ciclo de aperto monetário em curso, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de menor magnitude na próxima reunião", disse o BC, em março.
Na época, o colegiado explicou que era necessário indicar que o ciclo não estava encerrado devido ao cenário adverso para a inflação, mas que o novo aumento seria menor em função das defasagens inerentes à política monetária, isto é, o tempo que demora para o aumento de juro fazer efeito na economia.
Os integrantes do colegiado vêm frisando que já há "alguma segurança" que a Selic está em um patamar que restringe o ritmo de crescimento da economia, mas que estão "tateando" o processo de alta de juros para verificar se o nível já é contracionista o suficiente para garantir a convergência da inflação à meta.Conforme previsto por analistas do mercado financeiro, O Banco Central elevou a taxa básica de juros do país em 0,50 ponto percentual (pp) nesta quarta-feira (dia 7). Dessa forma, a Selic saiu de 14,25% para 14,75% ao ano. Esse é o maior patamar em quase 19 anos, quando atingiu o mesmo percentual em agosto de 2006.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta marca a sexta alta consecutiva dos juros básicos da economia brasileira em meio a um cenário de inflação elevada e persistente. Sob a liderança Gabriel Galípolo, indicado à chefia do BC pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já foram três aumentos.
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Diante de um ambiente de elevada incerteza, do nível alto do juro básico e dos impactos acumulados do ciclo de aperto monetário que ainda irão se materializar, o BC preferiu se abster de dar indicações sobre os próximos passos. O Copom disse apenas que o cenário "demanda cautela" e flexibilidade para reagir a dados futuros que impactem a inflação.
Fonte: Extra