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Sensação de comida presa pode ser sinal de disfagia; veja quando procurar ajuda
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Dificuldade para engolir, engasgos frequentes e sensação de alimento parado na garganta ou no peito podem indicar problemas no esôfago ou até doenças neurológicas

Sentir que um pedaço de comida ficou parado na garganta ou no peito pode acontecer ocasionalmente, principalmente quando a pessoa come rápido ou não mastiga direito. Porém, quando a sensação passa a ser frequente, piora com o tempo ou vem acompanhada de engasgos e perda de peso, o sintoma precisa ser investigado.

 

A dificuldade para engolir recebe o nome de disfagia. Ela não é uma doença por si só, mas um sinal de que existe algum problema interferindo no trajeto do alimento entre a boca e o estômago.

 

A deglutição depende da atuação coordenada de músculos e nervos. Quando alguma dessas estruturas não funciona adequadamente, a comida pode demorar para descer, ficar presa ou até retornar.

 

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De acordo com o serviço público de saúde do Reino Unido (NHS), a disfagia pode provocar sensação de alimento parado na garganta ou no peito, tosse e engasgos durante as refeições, além de dificuldade para engolir alimentos, líquidos e, em alguns casos, a própria saliva.

 

O local em que a pessoa sente o alimento parar pode ajudar os médicos a identificar a origem do problema. Quando a dificuldade aparece logo no início da deglutição, o quadro é chamado de disfagia orofaríngea. Nesse caso, a pessoa pode tossir ou engasgar enquanto tenta engolir, apresentar alteração na voz após comer ou perceber que líquidos retornam pelo nariz.

 

Esse tipo de disfagia pode estar relacionado a alterações nos nervos e músculos responsáveis pela deglutição. É mais observado em pessoas que sofreram acidente vascular cerebral (AVC) ou que apresentam doenças neurológicas, como Parkinson e Alzheimer. O envelhecimento também pode contribuir para a redução da força e da coordenação da deglutição.

 

Já na disfagia esofágica, a pessoa consegue engolir normalmente, mas alguns segundos depois sente que o alimento parou atrás do peito. Nesse caso, o problema está no esôfago, tubo que transporta a comida até o estômago.

 

Outro detalhe importante é observar quais alimentos provocam a dificuldade. Quando o problema ocorre apenas com alimentos sólidos e vai piorando progressivamente, pode existir um estreitamento do esôfago. Entre as possíveis causas estão cicatrizes provocadas por refluxo e, em situações mais graves, tumores.

 

Quando a dificuldade aparece apenas ocasionalmente com alimentos sólidos, algumas alterações, como anéis no esôfago ou processos inflamatórios, também podem estar envolvidos.

 

Já quando sólidos e líquidos provocam dificuldade desde o começo, a causa pode estar relacionada ao funcionamento dos movimentos do esôfago.

 

Entre as causas de disfagia está o refluxo gastroesofágico. A exposição prolongada ao ácido do estômago pode provocar inflamação e, em alguns casos, estreitamento do esôfago.

 

Outra possibilidade é a esofagite eosinofílica, uma doença inflamatória que pode estar associada a condições alérgicas. Pessoas com rinite, asma ou alergias alimentares podem apresentar maior ocorrência do problema. Episódios em que pedaços de carne ficam presos no esôfago estão entre os sinais que podem levantar essa suspeita.

 

Também existem doenças que afetam diretamente os movimentos do esôfago. É o caso da acalasia, condição em que o músculo localizado na parte final do esôfago não relaxa adequadamente, dificultando a passagem do alimento para o estômago.

 

No Brasil, a doença de Chagas também pode provocar alterações semelhantes. Em alguns pacientes, a infecção pode danificar os nervos responsáveis pelo funcionamento do esôfago e provocar o chamado megaesôfago, no qual o órgão fica dilatado e perde parte da capacidade de conduzir o alimento.

 

Alguns medicamentos também podem causar lesões no esôfago quando ficam presos no caminho. Entre eles estão determinados antibióticos, como a doxiciclina, medicamentos utilizados contra osteoporose, alguns anti-inflamatórios e suplementos de potássio.

 

Para diminuir esse risco, esses comprimidos devem ser tomados com bastante água. Também é recomendado permanecer sentado ou em pé durante a ingestão e evitar deitar logo depois de tomar o medicamento.

 

Embora seja menos frequente, o câncer de esôfago também precisa ser considerado, principalmente quando a dificuldade para engolir aumenta progressivamente e aparece acompanhada de perda de peso sem explicação.

 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), entre os fatores associados ao câncer de esôfago estão o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas e a ingestão frequente de bebidas muito quentes.

 

Nem toda sensação de aperto ou de algo parado na garganta, porém, significa que existe uma dificuldade real para engolir. Algumas pessoas apresentam o chamado globus faríngeo, caracterizado pela sensação de um bolo ou aperto na garganta sem impedir a passagem dos alimentos.

 

Em muitos casos, essa sensação diminui durante as refeições. O quadro pode estar relacionado a refluxo, tensão muscular ou ansiedade e, geralmente, não representa uma condição grave. Ainda assim, uma avaliação profissional pode ajudar a diferenciar o globus de uma verdadeira disfagia.

 

Um dos principais riscos da disfagia é a aspiração, quando comida, líquido ou saliva entram nas vias respiratórias em vez de seguirem para o estômago. Isso pode aumentar o risco de complicações como pneumonia, desidratação e desnutrição.

 

Em pessoas idosas, a aspiração pode acontecer sem provocar tosse ou engasgo evidente. Nesses casos, episódios repetidos de pneumonia podem ser um dos primeiros sinais de que existe um problema de deglutição.

 

A investigação depende da localização e das características dos sintomas. Um fonoaudiólogo pode avaliar a maneira como a pessoa engole diferentes tipos de alimentos e líquidos. Exames como videodeglutograma e video endoscopia da deglutição permitem observar o processo em tempo real.

 

Quando existe suspeita de alteração no esôfago, o médico pode solicitar uma endoscopia digestiva alta, que permite examinar o órgão e, quando necessário, realizar biópsias. Outros exames, como esofagograma e manometria esofágica, também podem ser utilizados para avaliar a estrutura e o funcionamento do esôfago.

 

Enquanto aguarda uma avaliação, quem consegue engolir e respirar normalmente pode adotar alguns cuidados durante as refeições. É recomendado comer sentado, manter a coluna ereta, dar pequenas mordidas e mastigar bem antes de engolir.

 

Também é importante evitar conversar ou se distrair durante a mastigação e a deglutição. Após comer, a orientação geral é esperar antes de se deitar. A mudança da consistência dos alimentos, principalmente para idosos e pessoas com doenças neurológicas, deve ser feita com orientação de um profissional, especialmente de um fonoaudiólogo.

 

A dificuldade para engolir merece avaliação médica quando passa a ser frequente, piora progressivamente ou aparece acompanhada de outros sintomas. Engasgos recorrentes, perda de peso sem explicação, dor ao engolir e episódios repetidos de pneumonia são sinais que não devem ser ignorados.

 

Também é importante procurar atendimento quando a dificuldade surge de forma repentina, principalmente após um AVC, cirurgia ou trauma.

 

Já a situação é considerada uma emergência quando a pessoa não consegue engolir nem a própria saliva ou quando um alimento fica preso e não desce. Nesses casos, é necessário procurar atendimento imediatamente e não tentar empurrar o alimento com mais comida ou provocar vômito.

 

Se houver sufocamento, com a pessoa incapaz de falar ou tossir adequadamente e apresentando sinais de falta de ar, deve-se acionar o SAMU pelo número 192 e iniciar as medidas de primeiros socorros para obstrução das vias aéreas, conforme o treinamento disponível.

 

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A disfagia pode ter causas simples ou estar relacionada a doenças que exigem tratamento específico. Por isso, quando a sensação de comida presa deixa de ser ocasional e passa a fazer parte da rotina, o mais seguro é buscar avaliação profissional para descobrir a origem do problema. 

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