Monitoramento analisou mais de 1 milhão de interações no Instagram e encontrou mais de 11 mil contas envolvidas em comentários classificados como ofensivos
Um monitoramento realizado pela plataforma Sentinela, do Instituto Plena Cidadania (IPC), identificou cerca de 13 mil comentários ofensivos direcionados a candidaturas LGBT+ no Instagram durante as eleições de 2026. O levantamento considera contas de candidaturas que autorizaram o acompanhamento e analisou mais de 1 milhão de interações desde o início do período eleitoral.
Do total de comentários analisados inicialmente, 307.185 foram selecionados por apresentarem potencial de violência. A plataforma avaliou cada publicação considerando a existência de violência, o alvo, a presença de componente LGBTfóbico e se o conteúdo atingia diretamente a candidatura monitorada. Ao final, cerca de 13 mil comentários foram classificados como ofensivos e com alvo identificável. Mais de 11 mil contas diferentes apareceram entre os envolvidos.
Os dados também apontam concentração dos ataques. Segundo o levantamento, 92,7% das agressões tiveram candidaturas de mulheres como alvo, enquanto pessoas negras apareceram em 83,6% dos registros. Quatro candidatas a deputada federal — Erika Hilton (PSOL-SP), Duda Salabert (PSOL-MG), Benny Briolly (PT-RJ) e Thabatta Pimenta (PV-RN) — concentraram 83% dos casos identificados.
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A Sentinela também identificou padrões de repetição entre os perfis. 1.267 contas voltaram a atacar a mesma candidatura em mais de uma publicação, enquanto 224 perfis considerados mais ativos foram responsáveis por 1.718 comentários. Em um caso envolvendo Fabrício Rosa (PT-GO), 63 contas reproduziram a mesma mensagem em aproximadamente três minutos. Para a plataforma, a combinação de texto idêntico, vários perfis e intervalo reduzido é um sinal de possível comportamento coordenado, mas o próprio levantamento aponta que situações desse tipo precisam de investigação adicional.
O monitoramento também identificou comentários classificados como ataques transfóbicos publicados por contas vinculadas a candidaturas de três partidos: Novo, PSDB e PL. O IPC informou ainda ter protocolado, em 23 de setembro, uma notícia-crime na Justiça Eleitoral contra três candidatos a deputado federal por ataques discriminatórios dirigidos a Erika Hilton e Duda Salabert. A existência de eventual crime ou irregularidade deverá ser analisada pelas autoridades competentes.
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A Sentinela utiliza coleta automatizada, classificação e inteligência artificial generativa. Segundo o IPC, a análise considera o contexto dos comentários e adota um critério conservador: casos considerados ambíguos não são contabilizados. Os resultados são parciais e continuam sendo atualizados durante o processo eleitoral.