Investigação aponta que funcionário teria cedido credenciais do sistema do órgão para fraudes; grupo cobrava cerca de R$ 2 mil por alteração irregular de veículos.
Um servidor do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) é apontado pela Justiça como um dos líderes de um esquema de fraudes que teria movimentado aproximadamente R$ 1 milhão. Segundo a denúncia analisada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Alexandre Macedo da Rosa utilizava os acessos que possuía ao sistema Getran para realizar alterações fraudulentas e teria compartilhado suas credenciais com outros integrantes do grupo.
A esposa dele, Shana Rodrigues Macedo, também é investigada. De acordo com o Ministério Público, ela teria disponibilizado a própria conta bancária para receber valores provenientes das fraudes, principalmente por meio de Pix. A acusação sustenta que a estratégia tinha como objetivo dificultar a identificação da origem do dinheiro.
A investigação foi conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte) e resultou em uma operação deflagrada em maio. Os investigadores apontam que o grupo conseguia acessar indevidamente os sistemas do Detran-DF e realizar transferências irregulares de veículos.
Veja também
.jpg)
Operação retira de circulação 14,6 mil litros de bebida vendida como vinho
Lotofácil 3773: veja os números sorteados nesta quinta-feira (27)
CREDENCIAIS ERAM REPASSADAS A TERCEIROS
Conforme a denúncia, Alexandre tinha conhecimento técnico e autorização para acessar o sistema Getran, utilizado pelo Detran-DF. Ele seria responsável por inserir ou excluir informações de forma fraudulenta e, segundo os autos, teria fornecido suas credenciais a outros investigados.
A apuração identificou pelo menos 600 operações realizadas com a senha de uma servidora em períodos nos quais ela não estava trabalhando.
Após o acesso utilizado pelo grupo ser interrompido, os investigadores afirmam que foram criados usuários considerados “fantasmas”, sem vínculo com o órgão, mas que tinham permissões para inserir informações no sistema.
Além de transferências fraudulentas de veículos, a organização teria retirado irregularmente restrições administrativas e multas.
CONTA DA ESPOSA ERA USADA PARA RECEBER VALORES
Segundo a investigação, o grupo contava com despachantes que faziam a intermediação com pessoas interessadas nas alterações ilegais. Cada operação poderia custar cerca de R$ 2 mil.
Os pagamentos, conforme a denúncia, eram direcionados à conta bancária de Shana. Durante as negociações, os investigados indicariam a chave Pix dela para receber os valores.
O Ministério Público afirma que os recursos eram posteriormente distribuídos entre os integrantes da organização.
Alexandre e Shana foram apontados como parte do núcleo responsável pelo recebimento das vantagens ilícitas. Outros investigados, como Caio Raffael Furtado e Pedro Cruz Filho, também são acusados de participar do esquema.
CASAL TENTA DEIXAR PRISÃO
Alexandre e Shana se entregaram voluntariamente à Polícia Civil do Rio Grande do Sul em junho. Desde então, a defesa tenta obter a revogação da prisão preventiva.
Ao menos quatro pedidos de habeas corpus foram apresentados ao TJDFT, sendo um deles protocolado nesta quarta-feira (26). Também houve pedido encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo o advogado Bruno Seligman de Menezes, o casal foi o único entre os investigados a se apresentar espontaneamente às autoridades. A defesa sustenta que a atitude demonstra ausência de risco de fuga.
Nos pedidos apresentados à Justiça, os advogados também questionam a duração da prisão preventiva e fazem alegações relacionadas à saúde mental de Alexandre.
INVESTIGADOS RESPONDEM POR VÁRIOS CRIMES
Os envolvidos foram indiciados por suspeitas de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

A Justiça determinou a prisão preventiva dos investigados com base nos elementos reunidos durante o inquérito, considerando a necessidade de preservar a ordem pública.

A operação foi realizada em 26 de maio, com cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão e medidas de sequestro de valores. As ações ocorreram em Brasília (DF), Valparaíso (GO), Teresina (PI) e Santiago (RS), com apoio das polícias civis dos estados envolvidos.

O Detran-DF informou que colaborou com as investigações por meio do fornecimento de informações técnicas, registros de acesso e dados que ajudaram a identificar padrões de invasão e conexões suspeitas.

Foto: Reprodução
O órgão também afirmou que adota medidas permanentes para reforçar a segurança dos sistemas e revisar os acessos internos. Quando há suspeita de participação de servidores, podem ser aplicadas medidas administrativas, como afastamento e bloqueio de credenciais.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo judicial, e os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência.