Sede do IBGE no Rio de Janeiro: trabalhadores entram em greve
Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entraram em greve em unidades do Rio de Janeiro e da Bahia nesta semana, em meio ao aumento das divergências entre a categoria e a direção do instituto, comandada por Marcio Pochmann. O movimento é organizado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE), que contesta decisões recentes da administração.
No Rio de Janeiro, a paralisação atinge, segundo o sindicato, duas unidades. A sede do IBGE está parada desde a semana passada, enquanto a Superintendência no estado iniciou a greve nesta segunda-feira. Na Bahia, cerca de 40% dos servidores aderiram ao movimento. Outras oito unidades permanecem em estado de greve e devem realizar assembleias ao longo da semana para decidir sobre a paralisação.
A categoria afirma que busca ampliar a mobilização e pressionar a direção do instituto a retomar as negociações. Apesar da greve, o sindicato informou que, até o momento, não há indicação de suspensão ou adiamento das divulgações estatísticas previstas pelo IBGE.
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Entre as principais reivindicações estão mudanças nas regras de trabalho para servidores aprovados no último Concurso Nacional Unificado (CNU), alterações na progressão da carreira e mudanças no pagamento da indenização de campo. Os trabalhadores também questionam as condições físicas de algumas unidades e decisões relacionadas à estrutura tecnológica do instituto.
Segundo a ASSIBGE, servidores recém-chegados ao instituto foram informados de que poderiam aderir ao regime híbrido após um ano de trabalho. A entidade afirma que uma portaria publicada em julho mudou essa previsão pouco antes do fim do período de estágio probatório. O sindicato considera que a alteração ocorreu sem discussão prévia e informou ter apresentado um mandado de segurança para tentar suspender a medida.
A indenização de campo, paga aos servidores que realizam atividades externas, também está entre os motivos da paralisação. A categoria contesta mudanças nas regras de pagamento e afirma que a alteração foi feita de forma repentina.
CRÍTICAS À GESTÃO
Representantes da ASSIBGE também criticam a condução institucional do IBGE. Segundo o sindicato, os espaços de participação dos servidores foram reduzidos desde o início da atual gestão. Entre os exemplos citados está o Conselho Curador, que teria realizado apenas uma reunião neste ano, além de mudanças na Comissão de Governança.
Outro ponto questionado é um contrato estimado em R$ 80 milhões com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). De acordo com a entidade, a contratação estaria relacionada à transferência de serviços e recursos tecnológicos do instituto. O sindicato afirma que o IBGE possui estrutura própria de processamento de dados e que a decisão não teria sido suficientemente discutida com os técnicos.
Os trabalhadores também relatam problemas de infraestrutura nas unidades, como falta de internet e energia elétrica, mobiliário inadequado e espaços considerados insuficientes para o trabalho presencial.
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A ASSIBGE afirma ainda que levou parte dos questionamentos ao Tribunal de Contas da União (TCU) e buscou diálogo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e parlamentares.