Estudos indicam que coincidência e variação natural dos ciclos explicam a suposta “sincronização” entre mulheres
A ideia de que mulheres que convivem juntas acabam menstruando ao mesmo tempo, conhecida como “sincronia menstrual”, é bastante difundida especialmente entre amigas, familiares e colegas de casa. Mas, apesar da popularidade, a ciência ainda não confirma esse fenômeno.
O conceito ganhou notoriedade a partir de um estudo publicado em 1971 pela psicóloga Martha McClintock, na revista Nature. A pesquisa analisou mulheres que viviam em um dormitório universitário e sugeriu que aquelas que conviviam mais de perto teriam seus ciclos menstruais alinhados ao longo do tempo.
No entanto, com o avanço das pesquisas, o estudo passou a ser questionado por falhas metodológicas, como a ausência de acompanhamento contínuo dos ciclos e a suposição de que todas as participantes tinham ciclos regulares de 28 dias.
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O QUE DIZEM AS EVIDÊNCIAS ATUAIS
Pesquisas mais recentes apontam que a sincronização menstrual, na prática, é improvável. Hoje se sabe que o ciclo menstrual varia naturalmente geralmente entre 28 e 35 dias e pode sofrer alterações ao longo do tempo.
Um estudo de 2017, por exemplo, analisou pares de amigas e colegas de casa e constatou que, na maioria dos casos, os ciclos se tornavam menos sincronizados com o passar do tempo, e não mais.
POR QUE PARECE ACONTECER?
Especialistas indicam alguns fatores que ajudam a explicar por que muitas pessoas acreditam na sincronia:
Coincidência natural: ciclos variáveis acabam se cruzando em alguns momentos
Viés de confirmação: tendência de lembrar apenas quando há coincidência
Percepção social: convivência próxima aumenta a atenção aos ciclos
EXPLICAÇÕES EVOLUTIVAS E CULTURAIS
Algumas hipóteses sugerem que a sincronização poderia ter vantagens evolutivas, como aumentar a diversidade genética em grupos. No entanto, essas teorias não foram comprovadas em humanos.
Além disso, estudos mostram que muitas mulheres veem a ideia de sincronia como algo positivo, que fortalece vínculos e cria um senso de conexão.
Apesar de ser um conceito popular e até valorizado culturalmente, a chamada sincronia menstrual não tem respaldo científico consistente. Para especialistas como Emmalee Ford e Tessa Copp, o mais provável é que o fenômeno seja resultado de coincidências naturais combinadas com percepções humanas.
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Ainda assim, a crença persiste mostrando que, mesmo sem comprovação, algumas ideias continuam fortes no imaginário coletivo.