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Síndrome de Fournier: conheça a infecção conhecida por devorar a genitália dos homens
Foto: Freepik

Doença rara acomete principalmente pessoas do sexo masculino e tem como uma das causas a falta de higiene íntima

A Síndrome de Fournier, também conhecida como gangrena sinérgica, gangrena de Fournier ou fascite necrosante perineal, é uma infecção rara, grave que atinge a região genital e acomete especialmente os homens — com incidência geral de 1,6 para cada 100 mil homens.

 

A predominância é clara com 77% dos pacientes sexo masculino, com idade média de 51,7 anos, com pico entre 50 e 79. É uma doença causada por bactérias que penetram os tecidos moles do períneo (região entre o pênis e o ânus), provocando necrose (morte) desses tecidos. Popularmente, a infecção é descrita como capaz de “devorar” as genitálias dos pacientes.

 

“A doença costuma ter início a partir de pequenas lesões, abscessos, feridas ou procedimentos cirúrgicos e evolui de forma extremamente rápida, causando destruição dos tecidos”, afirma Eveline Vale, infectologista e professora de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB).

 

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Entre as bactérias mais comuns que podem surgir na infecção, a especialista cita a Escherichia coli, presente no intestino, a Klebsiella pneumoniae e a Pseudomonas aeruginosa, além de microrganismos que habitam a pele, como Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus. Segundo Vale, ainda estão presentes na síndrome as bactérias anaeróbias, com a Bacteroides fragilis e Clostridium.

 

O diagnóstico da Síndrome de Fournier é feito por meio de exame físico/clínico e complementado por exames laboratoriais, como exames de sangue e culturas de tecido (realizado com uma amostra para detectar a presença de bactérias), além de exames de imagem como ultrassom, tomografia ou ressonância.

 

A taxa de letalidade geral é de aproximadamente 7,5%, mas pode ser significativamente maior quando há sepse ou complicações como insuficiência renal e respiratória. Em casos mais graves, a necessidade de amputações parciais pode chegar a 30%.

 

“Quando a doença aparece, a maioria dos pacientes carregam comorbidades, principalmente diabetes mellitus e hipertensão. Essas condições funcionam como combustível para o avanço rápido da infecção”, diz a especialista.

 

CAUSAS

 

As principais causas de contaminação são:
 

Traumas na região;
Pacientes portadores de diabetes mellitus;
Pacientes imunossuprimidos;
Falta de higiene íntima;
Infecção urinária;
Picada de inseto na região;
Presença de sondas urinárias na bexiga.
Sintomas


O sintoma mais característico é lesão com dor intensa e desproporcional ao aspecto visível da área, podendo ocorrer inchaço, vermelhidão de rápida progressão, formação de bolhas e odor fétido característico da necrose tecidual. “Dada a rápida evolução da doença, o início do tratamento não deve esperar o resultado definitivo dos exames”, diz.

 

Além desses sinais, o paciente pode apresentar também: febre, calafrios, náuseas e vômitos, saída de pus pela pele e queda do estado geral de saúde do paciente.

 
TRATAMENTO

 

O tratamento inclui procedimento cirúrgico para a retirada do tecido necrosado, uso de antibióticos intravenosos de amplo espectro, suporte intensivo hospitalar e controle rigoroso de condições associadas, como o diabetes.

 

“A síndrome de Fournier é uma emergência médica. Sem intervenção imediata, pode evoluir para choque séptico e levar ao óbito”, alerta Vale.

 

Entre as medidas preventivas, estão a higiene adequada da região genital e perineal, o tratamento precoce de infecções urinárias ou genitais, o controle rigoroso do diabetes e cuidados específicos após cirurgias ou traumas na área.

 

Em julho deste ano o funkeiro Leandro Abusado morreu vítima da bactéria rara. O músico, internado, gravou um vídeo dizendo que ficou duas semanas com as partes íntimas inchadas, mas não sabia o que era. Leandro tinha 40 anos e procurou ajuda médica após sentir um cheiro ruim no órgão genital.

 

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"Isso tudo é causado por uma bactéria que penetra pela pelo e se espalha pelo corpo. Se não se tratar e se cuidar, vai inchar tudo e a bactéria vai comer a comer os pedaços de carne. Foi o que aconteceu comigo, minhas partes íntimas começaram a inchar, eu não sabia o que era, fiquei convivendo com isso duas semanas, e na segunda vi que estava saindo um cheiro estranho. Fui ao hospital e já estava algumas partes necrosadas", disse.

 

Fonte: Extra 

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