Nova nomenclatura destaca os impactos hormonais e metabólicos da condição e busca corrigir equívocos no diagnóstico.
Uma mudança adotada pela comunidade médica internacional está redefinindo a forma como uma das condições hormonais mais comuns entre as mulheres será identificada. Desde maio deste ano, a antiga Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), uma alteração que busca tornar o diagnóstico mais preciso e reduzir equívocos sobre a doença.
Segundo a endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora da pós-graduação da Afya Educação Médica, o novo nome reflete melhor a natureza da condição, que não depende da presença de cistos nos ovários e envolve alterações hormonais, metabólicas, reprodutivas e psicológicas.
A especialista explica que, durante anos, muitas pacientes confundiam o resultado do ultrassom com o diagnóstico da síndrome. Enquanto algumas acreditavam não ter a doença por não apresentarem cistos, outras recebiam laudos com ovários de aspecto policístico e concluíam, de forma equivocada, que eram portadoras da condição.
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Com a nova nomenclatura, o foco deixa de estar apenas no exame de imagem e passa a considerar um conjunto mais amplo de sinais e sintomas, como irregularidade menstrual, ausência ou redução da ovulação, acne intensa, aumento de pelos, queda de cabelo, alterações metabólicas e histórico familiar.
DIAGNÓSTICO MAIS AMPLO
A SOMP passa a ser reconhecida como uma condição sistêmica, que pode afetar diferentes aspectos da saúde feminina ao longo da vida, incluindo:
ciclos menstruais e fertilidade;
pele e cabelos;
peso e distribuição da gordura corporal;
metabolismo da glicose;
colesterol e triglicerídeos;
pressão arterial;
qualidade do sono;
saúde emocional;
risco de diabetes tipo 2;
saúde do endométrio.
De acordo com Renata Bussuan, a mudança também reforça que o acompanhamento médico não deve se limitar ao período em que a mulher deseja engravidar, mas deve ocorrer de forma contínua.
SINTOMAS COSTUMAM SURGIR NA ADOLESCÊNCIA
A especialista alerta que a síndrome frequentemente começa na adolescência, fase em que seus sinais podem ser confundidos com mudanças naturais da puberdade.
Entre os principais sinais de alerta estão menstruações muito espaçadas ou ausentes, ciclos irregulares alguns anos após a primeira menstruação, acne intensa, ganho de peso e escurecimento da pele em determinadas regiões do corpo.
TRATAMENTO EXIGE EQUIPE MULTIDISCIPLINAR
O tratamento da SOMP pode envolver diferentes especialistas, conforme as necessidades de cada paciente. Além do ginecologista e do endocrinologista, a equipe pode contar com nutricionista, psicólogo, dermatologista e profissional de educação física.
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A endocrinologista destaca que a condição possui fatores genéticos, hormonais e metabólicos, e ressalta que ela não deve ser encarada como consequência de falta de esforço ou de hábitos inadequados por parte da paciente.