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Soldado da PM vira ré por matar Thawanna em abordagem e pode responder por homicídio triplamente qualificado
Foto: Divulgação

Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público contra Yasmin Cursino Ferreira; acusação aponta motivo fútil, meio cruel e dificuldade de defesa da vítima

A soldado da Polícia Militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, tornou-se ré pela morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, baleada durante uma abordagem policial em 3 de abril deste ano, no bairro Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo. A Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que acusa a policial de homicídio triplamente qualificado.

 

As qualificadoras apontadas pela Promotoria são motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo os promotores Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Shaefer, não havia circunstâncias que justificassem o uso de força letal durante a ocorrência. A acusação destaca ainda que Thawanna estava desarmada e que o disparo foi desproporcional.

 

Após ser atingida, a ajudante-geral permaneceu aguardando socorro por cerca de 30 minutos. Ela foi encaminhada ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou hemorragia interna aguda como causa da morte.

 

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Na denúncia, o Ministério Público também argumenta que a demora no atendimento contribuiu para caracterizar o meio cruel. De acordo com a acusação, Thawanna permaneceu consciente e sofreu durante o período em que aguardava o resgate, enquanto a policial não teria adotado providências para reduzir os efeitos do ferimento.

 

DISCUSSÃO COMEÇOU APÓS VIATURA ATINGIR O BRAÇO DO MARIDO DA VÍTIMA

 

O caso ocorreu em 3 de abril de 2026, quando Thawanna caminhava com o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, pela Rua Edimundo Audran. Durante o patrulhamento, uma viatura da Polícia Militar passou pelo casal e o retrovisor do veículo atingiu o braço de Luciano.

 

O início da discussão e os momentos que antecederam o disparo foram registrados pela câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, que acompanhava Yasmin durante a ação. A policial, que estava no banco do passageiro, não utilizava câmera corporal naquela ocasião.

 

Nas imagens, o soldado que dirigia a viatura dá marcha à ré e se dirige ao casal de forma agressiva. Em seguida, Luciano responde chamando o policial de “Steve”, gíria utilizada entre agentes de segurança para se referir a colegas de farda.

 

Durante a discussão, Thawanna também questiona a conduta dos policiais. Em um dos trechos audíveis, ela afirma: “Com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi”.

 

A partir daí, o desentendimento aumenta. Luciano questiona se haveria agressão, dizendo: “Vai agredir? Vai agredir?”. Segundos depois, é possível ouvir o disparo. Na sequência, Thawanna aparece caída no chão.

 

Yasmin sustenta que teria sido agredida pela ajudante-geral. Essa versão, porém, é contestada pelo marido da vítima e pelo advogado da família.

 

PROMOTORIA APONTA DISCUSSÃO BANAL COMO MOTIVO DO CRIME

 

Ao apresentar a denúncia, o MPSP afirmou que o episódio teve origem em uma discussão banal e que a vítima e o companheiro teriam reagido à maneira como foram tratados durante a abordagem.

 

“É certo que o delito foi perpetrado por motivação fútil, consistente em discussão banal, decorrente do fato de que a vítima e seu companheiro não se conformaram com a agressividade como foram tratados”, declarou o Ministério Público.

 

A Promotoria também sustentou que o sofrimento de Thawanna enquanto aguardava atendimento deve ser considerado na análise da qualificadora de meio cruel.

 

Após a morte da ajudante-geral, Yasmin foi afastada das atividades e passou a ser investigada em um inquérito policial militar e em outro conduzido pela Polícia Civil. O Ministério Público também informou que apuraria as circunstâncias da ocorrência.

 

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A defesa de Yasmin Cursino Ferreira foi procurada para se manifestar sobre a denúncia. Até a divulgação das informações, não havia retorno. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento. 

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