A sonda lunar Blue Ghost, da empresa Firefly Aerospace, compartilhou imagens detalhadas do lado oculto da Lua, uma região invisível para a Terra. Os registros, feitos a uma distância de cerca de 100 km da superfície lunar, foram realizados na segunda-feira e divulgados pela primeira vez na quarta, a poucos dias de sua tentativa de pouso, programada para a madrugada do próximo domingo.
"As mais recentes imagens da Lua capturadas pela sonda lunar Blue Ghost, da Firefly, são completamente surreais", escreveu Joseph Marlin, engenheiro-chefe adjunto da Blue Ghost, em e-mail enviado à rede americana CNN. "Já tínhamos uma ideia de como as imagens seriam, mas ver filmagens reais das crateras e rochas lunares, registradas por nossa própria espaçonave, é inspirador".
A sonda, de propriedade privada, foi lançada em 15 de janeiro a borde de um foguete Falcon 9 da SpaceX e entrou na órbita lunar em 13 de fevereiro. A espaçonave — o primeiro módulo lunar da Firefly — deve pousar no domingo, às 3h34 da manhã no horário leste dos Estados Unidos (5h34 em Brasília), na região de Mare Crisium ("Mar das Crises"), uma bacia com mais de 480 km de largura.
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Em seguida, a sonda deve realizar operações na superfície da Lua durante um dia lunar inteiro (equivalente a 14 dias terrestres) antes da chegada da noite lunar, quando a escuridão e as baixas temperaturas devem fazer com que a espaçonave cesse suas operações. Lá, a Blue Ghost deve capturar imagens em alta definição de um eclipse total.
A espaçonave da Firefly visa auxiliar no teste de uma frota de instrumentos científicos da Nasa para estudar o ambiente lunar antes do retorno dos humanos à Lua. Os dez instrumentos transportados pela Blue Ghost serão usados para tarefas como perfuração no subsolo lunar, coleta de amostras, imagens de raios X e mitigação de poeira. A Nasa também espera que os dados coletados forneçam informações sobre como o clima espacial e outras forças cósmicas afetam a Terra.
"Além da grande quantidade de informações científicas que planejamos transmitir para a Terra a partir dos experimentos, esperamos capturar um eclipse solar em 14 de março, quando a Terra bloqueará o Sol a partir da superfície lunar, lançando a Blue Ghost em uma sombra por cerca de cinco horas", explicou Marlin à CNN. Enquanto a Lua vivenciará um eclipse solar, disse, partes da Terra poderão observar um eclipse lunar.
"Depois, no dia 16, registraremos o pôr do sol lunar e, com sorte, poderemos confirmar o fenômeno da levitação da poeira lunar — quando partículas de poeira parecem 'levitar' acima da superfície — algo que foi esboçado pela última tripulação da missão Apollo que esteve na Lua."
A missão ocorre no momento em que a Nasa se prepara para enviar astronautas americanos de volta à superfície lunar já em 2027 sob a campanha Artemis, o primeiro programa lunar da agência desde o fim das missões Apollo, em 1972. A agência espacial americana vê a Lua como uma parada essencial para preparar astronautas e espaçonaves dos Estados Unidos para futuras missões em Marte.
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O projeto da Blue Ghost deve coincidir com o de outra sonda da Intuitive Machines, empresa que no ano passado realizou o primeiro pouso lunar comercial. A missão IM-2 foi lançada na quarta-feira e deve ser bem mais curta, durando apenas oito dias. Se tudo correr como planejado, o módulo de pouso Athena deve aterrissar no polo sul lunar na quinta-feira. Lá, a Athena implantará uma frota de instrumentos científicos, incluindo tecnologia da Nasa para a busca de água na superfície lunar.
Fonte:O Globo