Pesquisadores chineses descobriram que mais tempo no sono REM, etapa em que acontecem os sonhos, ajuda a melhorar a qualidade do descanso, além do número de horas
Dormir a quantidade recomendada de horas é importante, mas a qualidade do sono também pode fazer diferença para a saúde. Um estudo publicado na revista científica PLOS Medicine encontrou associações entre diferentes padrões de sono e o risco de desenvolver dezenas de doenças ao longo dos anos.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Pequim e da Capital Medical University, na China, que analisaram dados de 95.559 participantes do UK Biobank. Os voluntários utilizaram sensores de pulso durante sete dias para estimar diferentes estágios do sono, como REM, sono profundo e sono leve, além da duração total, irregularidade do sono e tempo acordado durante a noite. O acompanhamento teve duração mediana de 8,9 anos.
Os pesquisadores analisaram a relação entre os padrões de sono e 1.049 resultados de saúde. O estudo identificou associações significativas entre características do sono e 156 ocorrências de doenças. Maior duração do sono REM esteve associada a menor risco de 83 doenças, enquanto maior duração do sono profundo esteve relacionada a menor risco de outras sete condições.
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MAIS SONO REM, MENOR RISCO EM ALGUMAS DOENÇAS

O sono REM, fase em que ocorrem muitos dos sonhos, foi um dos principais pontos analisados.
Considerando uma diferença de aproximadamente 47,6 minutos a mais de sono REM, os pesquisadores encontraram associação com risco 26% menor de insuficiência cardíaca, 46% menor de demência e 80% menor de parkinsonismo. Também foram observadas associações com menor risco de doença de Alzheimer e outras condições neurológicas.
O estudo não indica, porém, que simplesmente aumentar o tempo de sono REM seja capaz de prevenir essas doenças. Os pesquisadores avaliaram associações observadas ao longo do acompanhamento e não estabeleceram uma relação direta de causa e efeito.
SONO PROFUNDO TAMBÉM APARECE ASSOCIADO A BENEFÍCIOS

Fotos: Reprodução
O sono profundo também apresentou resultados relevantes. Maior duração dessa fase foi associada a menor risco de sete doenças, incluindo diabetes tipo 2, depressão maior, apneia do sono e doença de Parkinson.
Por outro lado, maior irregularidade no sono e mais tempo acordado depois de adormecer estiveram associados a riscos mais elevados de algumas condições.
QUANTIDADE DE SONO TAMBÉM IMPORTA
A pesquisa reforça que não é apenas a qualidade do sono que merece atenção. A duração total também apresentou relações não lineares com 86 condições de saúde.
Para 69 desses resultados, o intervalo de menor risco ficou concentrado principalmente entre seis e oito horas de sono por noite. Isso não significa que todas as pessoas devam dormir exatamente esse período, mas mostra que a duração adequada continua sendo um componente importante do sono saudável.
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Os resultados ajudam a ampliar a compreensão sobre o papel do sono na saúde. Mais do que contar apenas quantas horas uma pessoa dorme, os pesquisadores destacam a importância de observar também a regularidade e a composição do sono.