NOTÍCIAS
Política
Souza Prudente diz que anistia a condenados por 8/1 é ''inconstitucional''
Foto: PEDRO SANTANA / CB

Desembargador que ordenou a abertura de arquivos do regime militar quando atuava no TRF-1, o jurista aposentado enfatizou a gravidade dos ataques golpistas, chamando os atos de tentativa de destruição do Estado democrático de direito

Em entrevista ao CB.Poder desta quarta-feira, 8 de janeiro, o desembargador aposentado Souza Prudente, professor da Escola de Magistratura Federal, abordou temas como a defesa da democracia, o impacto dos atos antidemocráticos de 2023 e o filme Ainda estou aqui, de Walter Salles. O programa é uma parceria entre a TV Brasília e o Correio Braziliense.

 

Prudente, que ordenou a abertura de arquivos do regime militar quando ainda atuava no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), enfatizou a gravidade dos eventos do 8/1, chamando os ataques de tentativa de “destruição do Estado democrático de direito” e uma ação “irracional” contra o resultado das urnas.

 

Ele destacou o papel fundamental das instituições, como a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, que estão conduzindo investigações com "diligência e coragem", além de declarar impossível e “inconstitucional” a anistia para os condenados pelo 8 de janeiro de 2023. O bate-papo conduzido pelas jornalistas Ana Maria Campos e Jaqueline Fonseca.

 

Veja também

 

'Bando de aloprados achou que tomaria o poder', diz Lula sobre plano golpista

 

Redes sociais só vão operar no Brasil se respeitarem legislação, diz Moraes

 

“No que se refere àqueles que já foram julgados, já de plano, não será possível cogitar qualquer tipo de anistia. Ou seja, mesmo que o Congresso aprove algo nesse sentido, certamente o Supremo Tribunal Federal vai considerar inconstitucional. E o Judiciário só pode decidir se for provocado. Mas temos um Ministério Público muito diligente, que, sem dúvida, não deixará passar uma situação como essa", apontou.

 

O desembargador aposentado elogiou o trabalho do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconhecendo sua postura firme e técnica diante das adversidades. “O juiz que não estuda, não se aprimora, não tem coragem de decidir", afirmou.

 

 

Além disso, Souza Prudente se aprofundou no tema dos direitos humanos, recordando o histórico processo de identificação de desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia. Ele explicou que o objetivo não era apenas uma indenização, mas o resgate da memória e a identificação oficial dos corpos. A decisão recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou a emissão de certidões de óbito corretas, foi celebrada pelo desembargador como um avanço crucial para a justiça histórica.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram

 

Ao falar sobre o filme Ainda estou aqui, o jurista enfatizou que a obra, que conta a história do desaparecido político Rubens Paiva, contribui para o fortalecimento do entendimento das gerações atuais sobre os desafios enfrentados durante o regime militar. “Acho que é uma obra inigualável para registrar a memória de Rubens Paiva, principalmente por ter sido escrita pelo seu filho”, observou.

 

Fonte: Correio Braziliense

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.