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STJ aumenta pena de homem que traficou brasileiros para golpes virtuais em Myanmar
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com a nova decisão, o condenado deverá cumprir 23 anos e 10 meses de prisão, além do pagamento de multa

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) aumentou a pena do homem condenado por aliciar e levar brasileiros para Myanmar, no sudeste asiático, onde as vítimas eram exploradas em esquemas de golpes virtuais e trabalho análogo à escravidão. A decisão atendeu parcialmente a um recurso apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF).

 

Com a nova decisão, o condenado deverá cumprir 23 anos e 10 meses de prisão, além do pagamento de multa. Antes, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região havia reduzido a pena para 18 anos e 11 meses de reclusão.

 

Segundo o processo, o homem foi condenado pelos crimes de tráfico internacional de pessoas, redução à condição análoga à de escravo e organização criminosa. O STJ considerou a gravidade da conduta e a continuidade delitiva para recalcular a pena.

 

De acordo com as investigações, o esquema recrutava brasileiros por meio de falsas promessas de emprego na Tailândia. O aliciador divulgava nas redes sociais uma suposta vida de luxo e oferecia vagas em empresas de telemarketing com salários em dólar, passagens, alimentação e moradia pagas.

 

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As vítimas desembarcavam em Bangkok, capital da Tailândia, mas depois eram levadas ilegalmente para o complexo conhecido como KK Park, localizado na fronteira entre Tailândia, Myanmar e Laos. O local é apontado pelas autoridades como base para operações de golpes cibernéticos e exploração humana.

 

No complexo, os brasileiros eram obrigados a trabalhar em jornadas superiores a 14 horas por dia aplicando golpes virtuais e extorsões pela internet. Segundo o MPF, as vítimas sofriam agressões físicas, restrições de liberdade e punições caso descumprissem metas impostas pelos criminosos.

 

A denúncia foi a primeira apresentada pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC), criada pelo MPF em 2024 para combater organizações criminosas transnacionais.

 

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O Ministério Público alerta que casos semelhantes têm aumentado nos últimos anos, principalmente por meio de ofertas falsas de emprego divulgadas na internet. Especialistas recomendam atenção a propostas com salários altos, promessas facilitadas de viagem e poucas exigências profissionais.
 

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