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Suprema corte da Coreia do Sul emite mandado de prisão contra ex-presidente Yoon Suk-yeol
Foto: Reprodução

O ex-mandatário foi deposto em abril após declarar lei marcial no país para tentar prender opositores e fechar o parlamento

O Tribunal Central Distrital de Seul, mais alta corte da Coreia do Sul, emitiu nesta quarta-feira um mandado de prisão preventiva contra ex-presidente Yoon Suk-yeol, deposto em dezembro de 2024 após declarar lei marcial no país para prender opositores políticos e tentar fechar o parlamento. Ele já tinha sido preso provisóriamente em janeiro, mas foi liberado em março após uma liminar.

 

A prisão decretava nesta quarta-feira atende um pedido da promotoria do caso e tem o objetivo de "evitar a destruição de provas", de acordo com o juíz Nam Se-jim.

 

Após a expedição do mandado, Yoon se apresentou voluntariamente em uma penitenciária da capital sul-coreana, onde deve cumprir 20 dias de custódia. De acordo com veículos locais, o entorno da prisão deve receber pontos de bloqueio policial, para evitar manifestações e tentativas de invasão por parte de apoiadores.

 

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O ex-presidente será interrogado pelo promotor especial do caso enquanto estiver detido.

 

Yoon é acusado de diversos crimes administrativos como abuso de poder, por conta do decreto de lei marcial, além de atentado contra a segurança nacional por ter enviado drones militares na direção da Coreia do Norte em outubro do mesmo ano.

 

De acordo com os promotores, o ex-presidente tinha o objetivo de provocar uma reação bélica do país vizinho, o que justificaria a instalação de estado de emergência e lei marcial.

 

QUEM É YOON? CONHEÇA O EX-PRESIDENTE DEPOSTO NA COREIA DO SUL


A trajetória de Yoon Suk-yeol, presidente deposto da Coreia do Sul, teve início no combate à corrupção e terminou com uma tentativa de se manter no poder por meio da força. Após declarar lei marcial em dezembro de 2024 e ordenar a ocupação militar do Parlamento, Yoon foi afastado em definitivo em abril pela Corte Constitucional, que confirmou por unanimidade seu impeachment. Novas eleições presidenciais devem ser realizadas até junho.


Eleito em 2022 com o apoio da direita conservadora, Yoon despontou como um nome de fora da política tradicional. Sua fama como promotor inflexível, responsável por investigar casos de corrupção envolvendo figuras de alto escalão — incluindo a ex-presidente Park Geun-hye — o impulsionou ao cargo mais alto do país. Ele também gerou constantes choques com o Parlamento, especialmente após a oposição conquistar maioria nas eleições legislativas de 2024.

 

O ápice da crise ocorreu em 3 de dezembro, quando Yoon decretou lei marcial sob alegações não comprovadas de fraude eleitoral. A medida incluiu ordens para bloquear o acesso ao Parlamento e prender opositores, o que gerou reações imediatas de rejeição institucional. No mesmo dia, deputados conseguiram votar e aprovar o impeachment, mesmo sob pressão de forças armadas e policiais leais ao presidente.

 

Na decisão desta sexta, o tribunal concluiu que Yoon “violou a Constituição, os direitos humanos e a ordem democrática”. Segundo o presidente da Corte, Moon Hyung-bae, não havia qualquer emergência nacional que justificasse a medida extrema. Para os magistrados, a tentativa de intervenção militar representou uma “grave traição à confiança do povo”, abalando as estruturas da democracia sul-coreana.

 

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Com a destituição, Yoon ainda deve enfrentar um processo judicial por insurreição, crime que pode levá-lo à prisão. Enquanto isso, o país volta a ser comandado interinamente pelo primeiro-ministro Han Duck-soo, até a realização das eleições. A queda de Yoon marca o segundo impeachment presidencial confirmado pela Justiça em menos de uma década, reforçando o papel do Judiciário como pilar democrático na Coreia do Sul. 

 

Fonte: O Globo

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