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Tarcísio defende investigação de ministros do STF no Senado: 'Lei deve valer para todos'
Foto: Reprodução

Governador reeleito de São Paulo disse que magistrados podem ser submetidos a julgamentos políticos por crime de responsabilidade, desde que assegurados direitos de defesa

No dia seguinte à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, com 62% dos votos válidos, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou ser favorável à abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que tenham cometido crimes de responsabilidade.

 

Em entrevista à Globo News, na tarde desta segunda-feira, Tarcísio foi questionado sobre o tema, uma das principais bandeiras do bolsonarismo e de senadores recém-eleitos.

 

– A sociedade quer respostas, principalmente quando há indícios de crime de responsabilidade. Ninguém pode estar acima da lei. Se houver indício de crime de responsabilidade, cabe ao Senado Federal fazer o processamento e o julgamento desse indício. Já foi feito isso com dois presidentes da República no período democrático após 1964. Tiveram seus mandatos cassados. Por que não o ministro Supremo se submeter a um processo de julgamento político no Senado Federal por crime de responsabilidade garantido, claro, contraditório à Lei de Defesa? O que tem que ficar claro é que a lei vai valer para todos, inclusive para a Corte – disse Tarcísio.

 

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Ainda segundo Tarcísio, os resultados da eleição - tanto presidencial quanto para o Parlamento federal - foram fruto da insatisfação da população com a crise pela qual passa o Supremo.

 

– Essa eleição acabou sendo uma eleição muito plebiscitário acerca do Supremo Tribunal Federal. Querendo ou não, gostemos ou não, o Supremo Tribunal virou pauta. O Supremo Tribunal foi decisivo para a tomada de decisão porque as pessoas estão vendo uma instituição que passa pela maior crise de credibilidade da sua história. É muito ruim para o país quando a Corte Suprema passa por uma crise dessa natureza. Imagina que o risco jurídico passou a ser precificado pelo mercado da mesma dimensão ou até de forma maior do que o próprio risco fiscal. Então, alguma coisa está errada. Alguma coisa precisa mudar. O Judiciário não conseguiu exercer a tão falada autocontenção que foi propalada tempos atrás – disse o governador.

 

No mês passado, o governador de São Paulo elogiou a postura do ministro Edson Fachin, presidente do STF, de suspender decisões de André Mendonça e Flávio Dino, que determinavam, em sentidos opostos, o afastamento e a recondução de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal. Fachin manteve o diretor-geral no cargo e centralizou na Presidência do STF a condução do impasse. Para Tarcísio, a decisão de Fachin representou uma tentativa de organizar o funcionamento do Supremo naquele momento.

 

Apesar das críticas ao STF, Tarcísio é um dos políticos ligados a Jair Bolsonaro com maior trânsito entre parte dos ministros, sobretudo os mais criticados entre os bolsonaristas. Em fevereiro, ele foi ao STF para se reunir com Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, decano da Corte. Além de tratar na época sobre uma possível prisão domiciliar para Bolsonaro, o que acabou ocorrendo, o governador marcou as audiências para destravar processos que envolvem o estado. Esse encontro ocorreu quatro meses depois de Tarcísio criticar Moraes e chamá-lo de "tirano" durante manifestação no 7 de Setembro de 2025, na Avenida Paulista.

 

VIAGEM A BRASÍLIA


Depois de comemorar a vitória no primeiro turno, Tarcísio embarca na tarde desta segunda-feira para Brasília, onde deve se reunir com Flávio Bolsonaro. A conversa será para definir rumos e roteiros da ajuda que o governador dará na campanha presidencial no segundo turno. Como mostrou O GLOBO nesta segunda, há a possibilidade de o governador realizar pelo menos oito viagens em apoio a Flávio. Uma delas seria para o Mato Grosso, após pedido do governador Otaviano Pivetta, também do Republicanos e reeleito neste domingo.

 

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— Não vai haver desmobilização, vai haver trabalho, trabalho intenso, para que a gente possa encerrar esse ciclo que não está sendo bom para o Brasil (...) Vamos nos encontrar em Brasília. A gente vai sentar e planejar isso. O que estou agora de pronto é me colocando à disposição. Eles vão contar com um soldado aqui para a gente usar essa força, essa energia que nós temos aqui no estado de São Paulo para fazer a diferença. E essa energia vai estar à disposição de Flávio Bolsonaro a partir de agora — afirmou Tarcísio, em entrevista coletiva após o anúncio da vitória. 

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