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Tarifas de 50% dos EUA sobre carne e café brasileiros disparam preços e prejudicam consumidores americanos
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O Brasil, que fornece cerca de 23% da carne processada consumida nos EUA, enfrenta agora uma barreira tarifária que eleva o custo total para 76% sobre o volume excedente da cota de 65 mil toneladas

A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, como carne bovina e café, a partir de 1º de agosto de 2025, está causando um impacto significativo nos preços de alimentos no mercado americano, afetando diretamente o bolso dos consumidores.

 

Fernando Hessel, observador da Casa Branca e do Pentágono e conselheiro em política, aviação e imigração, alertou que a medida, aparentemente motivada por questões políticas, é uma estratégia comercial mal planejada que eleva a inflação e reduz a competitividade dos EUA, enquanto o Brasil redireciona suas exportações para outros mercados, como a China.

 

Os preços da carne bovina nos EUA atingiram níveis históricos em julho de 2025, com o preço médio por libra (aproximadamente 450 gramas) chegando a US$ 9,26, o equivalente a mais de R$ 60 por meio quilo, segundo Hessel. A carne moída, essencial para hambúrgueres, subiu 12%, de US$ 5,40 para US$ 6,12 por libra, enquanto cortes como o bife alcançaram US$ 11,49 por libra.

 

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Esse aumento é agravado pela crise no rebanho bovino americano, que atingiu o menor número em mais de 70 anos, com apenas 86,7 milhões de cabeças em 2025, conforme dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O Brasil, que fornece cerca de 23% da carne processada consumida nos EUA, enfrenta agora uma barreira tarifária que eleva o custo total para 76% sobre o volume excedente da cota de 65 mil toneladas. Como resultado, exportadores brasileiros, como JBS e Marfrig, reduziram embarques para os EUA em 62% entre abril e junho de 2025, de 48 mil para 18 mil toneladas.

 

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) estima perdas de pelo menos US$ 1 bilhão no segundo semestre de 2025, já que nenhum outro mercado pode absorver imediatamente o volume demandado pelos EUA a preços premium. Hessel critica a decisão, comparando-a a “apagar um incêndio com gasolina”. Ele destaca que a escassez de gado nos EUA, causada por anos de seca e aumento nos custos de produção, torna o país dependente de importações. A tarifa, portanto, limita o acesso a um fornecedor chave como o Brasil, enquanto alternativas como Austrália, Argentina ou Uruguai são mais caras e insuficientes para suprir a demanda.

 

O café, outro pilar das exportações brasileiras, também sofre com as tarifas. Os EUA importam cerca de 99% do café que consomem, sendo o Brasil responsável por aproximadamente um terço desse mercado, com 8 milhões de sacas de 60 kg por ano. Hessel aponta que a tarifa de 50% resultou em um aumento imediato de 9% no preço por xícara, com previsões de acréscimos superiores a 50 centavos de dólar por unidade.

 

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Substituir o café brasileiro é um desafio, já que outros grandes produtores, como Vietnã e Colômbia, não conseguem suprir a demanda americana com a mesma escala e preço competitivo. Marcos Matos, da Cecafé, alertou que a medida representa “uma perda para as empresas brasileiras e mais custos e inflação para os consumidores americanos”. Enquanto isso, o Brasil já busca alternativas, com a China autorizando, em 3 de agosto de 2025, 183 exportadores brasileiros de café a entrar com força no mercado asiático, conforme destacado por Hessel. 

 

Fonte: BBC

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