Governo tenta vincular crise do caso Banco Master à gestão de Campos Neto no Banco Central
Nos bastidores de Brasília, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstram preocupação com os possíveis impactos políticos do escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro nas eleições de 2026.
De acordo com relatos de aliados do Palácio do Planalto, começou a ganhar força dentro do governo a ideia de associar a origem da crise à atuação do Banco Central do Brasil durante a gestão do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, que comandou o órgão entre 2019 e 2024.
A avaliação de integrantes do governo é que, caso o episódio evolua para uma crise institucional envolvendo diferentes poderes da República, o desgaste político pode atingir diretamente o Planalto. Na leitura de aliados, a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) também poderia ser afetada, já que parte da opinião pública associa a Corte ao atual governo.
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Diante desse cenário, a estratégia discutida internamente seria direcionar o foco das críticas para possíveis falhas de supervisão e regulação do sistema financeiro durante a gestão de Campos Neto no Banco Central.
Mesmo assim, interlocutores do próprio governo admitem que a tentativa de concentrar a responsabilidade apenas na antiga direção do BC enfrenta dificuldades. Isso porque o avanço das investigações e o conteúdo de mensagens divulgadas passaram a levantar questionamentos também sobre a atuação de autoridades do Supremo.
Entre os nomes citados nas discussões estão os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que podem ser chamados a esclarecer o contexto de contatos mencionados nas apurações.
Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que, diante desses elementos, pode ser difícil limitar o impacto político do caso apenas ao Banco Central.
A movimentação ocorre em meio a preocupações dentro do próprio STF. Segundo relatos, alguns ministros da Corte teriam cobrado do governo uma reação política para tentar reduzir os efeitos da crise sobre a imagem da instituição.
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O receio compartilhado entre integrantes do sistema político é que o chamado caso Master continue ampliando o desgaste institucional justamente em um momento de pré-campanha eleitoral para 2026.