Em audiência, Geraldo Neto afirmou que a mulher jogou um prato nele e chegou a enviar mensagens a partir dos próprios celulares para acusá-lo de agressão. A versão contrasta com a investigação e com laudos periciais que apontam feminicídio
O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, apresentou uma versão sobre o relacionamento durante interrogatório à Justiça. No depoimento, realizado em 5 de outubro, o oficial descreveu a mulher como agressiva, afirmou que ela quebrava objetos e alegou que ela tinha problemas psiquiátricos. Geraldo está preso preventivamente e responde por feminicídio e fraude processual.
Durante o interrogatório, o militar também comentou uma discussão ocorrida poucos dias antes da morte de Gisele. Segundo ele, teria criticado a roupa usada pela esposa, que, conforme sua versão, vestiu um microvestido após o desentendimento. As declarações provocaram reação e levaram o Ministério Público a pedir que a Corregedoria da Polícia Militar apure as falas dirigidas à vítima, aos familiares, às testemunhas e aos profissionais envolvidos na investigação.
Geraldo sustenta que a esposa tirou a própria vida enquanto ele estava tomando banho. Essa versão, no entanto, é contestada por elementos reunidos na investigação. Laudos periciais apontaram inconsistências na hipótese de suicídio, incluindo vestígios de sangue e marcas de agressão no rosto de Gisele. A perícia também identificou elementos que não permitem descartar a participação de outra pessoa na morte.
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Outro ponto importante envolve o celular da soldado. Segundo relatório policial, o aparelho foi desbloqueado e mensagens relacionadas à separação do casal foram apagadas minutos depois do disparo. As conversas recuperadas indicavam que Gisele manifestava a intenção de se divorciar. O tenente-coronel contestou o conteúdo das mensagens e afirmou que a esposa simulava querer terminar o relacionamento, versão questionada pela representação da família.
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O caso segue em tramitação na Justiça, e o tenente-coronel nega ter cometido o crime. A acusação de feminicídio e fraude processual ainda será analisada judicialmente. As declarações feitas durante o interrogatório e os elementos periciais fazem parte do conjunto de informações que deverá ser considerado pelas autoridades na avaliação das responsabilidades pela morte da soldado, ocorrida em fevereiro deste ano.