Cerca de 120 indígenas foram até o local ocupado por famílias não indígenas em Bom Jesus do Tocantins; Justiça Federal determinou desocupação voluntária em até dois dias
A tensão aumentou nesta quarta-feira (23) na Terra Indígena Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins, no sudeste do Pará, após cerca de 120 indígenas se deslocarem até a área ocupada por famílias não indígenas desde o último sábado (19). A movimentação ocorreu depois de dias de cobrança por providências das autoridades e elevou a preocupação com a possibilidade de confronto entre os grupos.
No mesmo dia, a Justiça Federal de Marabá determinou a reintegração de posse da área e estabeleceu prazo de dois dias para que os ocupantes deixem o território voluntariamente. Caso a ordem não seja cumprida, a decisão prevê a retirada compulsória, com apoio das forças de segurança.
A ocupação teve início no sábado e envolve aproximadamente 100 famílias, segundo a decisão judicial. No domingo (20), equipes da Polícia Federal, da Polícia Militar e servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) estiveram no local para tentar negociar a saída dos ocupantes, mas as famílias permaneceram na área.
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Antes da decisão judicial, lideranças indígenas já haviam demonstrado preocupação com a demora na retirada e afirmado que poderiam ir até a área caso não houvesse uma resposta das autoridades. As comunidades também haviam pedido a atuação da Funai, do Ministério Público Federal e das forças de segurança para evitar que a situação evoluísse para um novo conflito.
Na decisão, o juiz federal Heitor Moura Gomes apontou justamente o risco de confronto direto entre os ocupantes e integrantes das comunidades indígenas como um dos fatores que justificaram a urgência da medida.
A ordem judicial determina que, se a saída voluntária não ocorrer dentro do prazo, a reintegração seja cumprida de forma planejada pela Polícia Federal e pela Polícia Militar do Pará, com possibilidade de participação da Polícia Rodoviária Federal. A operação deverá considerar a presença de famílias e de pessoas em situação de vulnerabilidade.
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A Justiça também proibiu novos atos de ocupação, construções ou retorno à área após a desocupação. O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades, enquanto indígenas e ocupantes aguardam o cumprimento da decisão judicial.