Morto na quinta-feira passada, dia 4, aos 91 anos, o estilista Giorgio Armani deixou em testamento instruções precisas sobre o futuro da grife que fundou há 50 anos. Segundo os documentos divulgados nesta sexta-feira, seus herdeiros deverão vender gradualmente a marca ou buscar uma abertura de capital na bolsa de valores.
A primeira etapa prevê, em até 18 meses, a venda de 15% da Giorgio Armani SpA para um grande conglomerado do setor definido pelo próprio estilista — LVMH, L’Oréal ou EssilorLuxottica — ou para outro grupo de “igual prestígio”, com a aprovação de uma fundação criada para preservar seu legado e de seu parceiro de vida e negócios, Leo Dell’Orco.
Entre três e cinco anos após a morte do estilista, deverá ser transferida uma fatia adicional de 30% a 54,9% ao mesmo comprador, que passará a ter a possibilidade de assumir o controle majoritário da grife.
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A decisão contrasta com a postura que Armani manteve em vida. Embora tenha cogitado vender a empresa em alguns momentos, sempre resistiu às ofertas de aquisição dos conglomerados de luxo, preferindo manter a independência de sua marca. Conhecido pelo rigor estético e pela atenção aos detalhes, o estilista deixou um roteiro minucioso para a transição — surpreendendo após décadas de defesa da autonomia.
Analistas do banco Berenberg estimam que a grife valha entre € 5 bilhões (US$ 5,9 bilhões) e € 7 bilhões (US$ 8,2 bilhões), classificando-a como “uma oportunidade rara”.
A Armani já mantém parcerias históricas com a EssilorLuxottica, responsável por sua linha de óculos, e com a L’Oréal, que desde 1988 licencia seus perfumes, incluindo o icônico Acqua di Giò. Também havia proximidade com Bernard Arnault, presidente da LVMH, com quem Armani chegou a discutir uma possível aliança.
Em comunicado, a EssilorLuxottica afirmou que “avaliará cuidadosamente” a possibilidade de compra. “Temos orgulho da confiança que o Sr. Armani depositou em nosso grupo e em nossa gestão”, disse um porta-voz. Procuradas pela Bloomberg, LVMH e L’Oréal não comentaram.
Como alternativa à venda, os herdeiros também poderão considerar uma oferta pública inicial (IPO) em Milão ou em outro mercado relevante. Para os analistas, a LVMH seria o encaixe estratégico mais adequado, já que o grupo francês tem histórico de atuar como investidor minoritário paciente e de longo prazo.
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A fundação criada por Armani, membros da família e Leo Dell’Orco, apontado pelo estilista como seu “braço direito”, ficaram responsáveis pela condução da empresa. Pelo testamento, Dell’Orco recebeu 30% das ações e 40% dos direitos de voto, assumindo papel central na transição.