14 de Junho de 2024 - Ano 10
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18/05/2024

Tradicional festa do quilombo de Valença, no sul do estado, é retomada após cinco anos de interrupção

Foto: Reprodução

Última edição foi em 2018, quando os organizadores resolveram fazer uma pausa para reformulação

A tradicional Festa de Maio do Quilombo São José da Serra, em Valença, será retomada nesse fim de semana, após cinco anos de interrupção. A última edição foi em 2018, quando os organizadores resolveram fazer uma pausa para reformulação. Depois veio a pandemia da Covid-19 e de lá para cá houve a perda de algumas lideranças que já estavam idosas, como Antônio Nascimento Fernandes, conhecido como “Toninho do Canecão” , em março de 2022, aos 71 anos, e Terezinha Fernandes Azedias, a Mãe Tetê, em meados do ano passado, aos 79.

 

Mãe Tetê era uma referência religiosa e responsável pelo Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro e Caboclo Rompe Mato. Ela será homenageada na festa desse ano, assim como Iracy Gonçalves Fernandes, Maria Albana Estevão e José dos Passos Estevão, o Jorjão, todos já falecidos.

 

O evento volta agora com força total e deve atrair cerca de 4 mil pessoas para a cidade com pouco mais de 77 mil habitantes, localizada no sul do estado. É o maior encontro de quilombolas do Rio de Janeiro e atrai gente de todo o Brasil. Um dos pontos altos é a bênção da fogueira, com apresentação de grupo de jongo e pedidos de proteção aos presentes.

 

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—A retomada dessa festa é como se nós (os mais novos) recebêssemos o cajado (dos mais velhos) para podermos prosseguir com a nova geração sem permitir que se perca as características do quilombo, as tradições e a cultura, sem falar no intercâmbio de conhecimentos entre as comunidades quilombolas e o seu fortalecimento após o período de pandemia. Estamos aí novamente fazendo esse intercâmbio de conhecimento juntando as comunidades para podermos fortalecer e reivindicar direitos que novamente estão sendo esquecidos — afirmou Almir Gonçalves, vice-presidente do Quilombo filho de Toninho do Canecão.

 

Segundo os organizadores, a retomada dos festejos — que é uma referência à abolição da escravatura, em 13 de maio —, se dá em espírito de união. A festa conta com uma programação extensa, valorizando as manifestações culturais da comunidade quilombola mais antiga do estado. Começa com uma missa uma missa afro, às 10h, seguida de vários eventos, como roda de jongo, maracatu, samba e capoeira, além de folia de reis, boi pintadinho de Miracema e uma grande feijoada, com expectativa de servir ao menos 2.5 pratos. O encerramento será no domingo ao meio-dia.

 

Amauri Fernandes, um dos organizadores, destaca o espírito inclusivo. O Quilombo São José da Serra é de 1850, mas teve o seu reconhecimento oficial apenas em 2015. Inicialmente os festejos eram restritos aos moradores. A partir de 1990 abriu para participação do público geral, virou um grande evento e esse ano tem a expectativa de atrair cerca de 4 mil pessoas.

 

—A comunidade está toda voltada para a festa da cultura negra, onde teremos a presença de várias lideranças comunitárias e quilombolas. O Brasil todo vai estar representado — aponta o líder quilombola.

 

Durante toda a noite e madrugada barraquinhas venderão comidas típicas e artesanatos do local e serão assadas batatas na fogueira. No quilombo, há uma área para acampamento, bastando levar a barraca. É cobrado entre R$ 50 (sem banheiro e banho) e R$ 80 (com direito a banheiro e banho). A feijoada também é paga —custa R$ 35 —, assim com as bebidas. Há ainda outras opções de hospedagem em pousadas nos vizinhos de Conservatória e distrito de Santa Isabel.

 

O acesso ao quilombo é pela RJ 137, a oito quilômetros de Santa Isabel do Rio Preto. Para quem sai de Conservatória, depois que passa do mirante da Serra da Beleza são menos de quatro quilômetros de distância. Almir Gonçalves destaca o impacto da festa na economia e no turismo:

 

— Essa festa, embora aconteça aqui no terceiro distrito de Valença, interior do estado, uma cidade com poucos habitantes, gera renda no estado do Rio de Janeiro. Mobiliza várias várias agências agências de turismo, que trazem grupos para cá. Nós geramos alguns empregos aqui na região, pessoas que aproveitam esse dia para trabalhar, ganhar uma diária até mais justa do que eles estão acostumados aqui na região —aponta.

 

HISTÓRIA DO QUILOMBO

 

O Quilombo São José tem 150 anos de existência e é uma comunidade formada por uma única família de cerca de 300 quilombolas que preservam o jongo, dança de roda considerada uma das origens do samba, cujas raízes foram trazidas de Angola para a região do Vale do Café. O primeiro ancestral africano, Pedro Seabra foi trazido a força para trabalhar na fazenda de café, da região onde nasceu Clementina de Jesus.

 

A comunidade é atualmente considerada Patrimônio Cultural da Humanidade. Ela preserva até os dias atuais ricas tradições fundamentais na formação da cultura nacional, como o Jongo, a Umbanda, o Calango, o Terço de São Gonçalo, a medicina natural, rezas e benzeduras, a agricultura familiar entre outras. A floresta, as casas de barro com telhados de palha, e o fogão de lenha ainda fazem parte do cotidiano do seu povo.

 

Festa de Maio, do Quilombo São José, em Valença. — Foto: Domingos Peixoto - 29/04/2013

Foto: Reprodução

 

 

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A Festa de Maio é realizada com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e do Ministério da Cultura através da Lei Paulo Gustavo e é uma realização da Associação de Moradores do Quilombo São José em parceria com o Instituto Floresta.

 

Fonte: EXtra

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