Homem de 46 anos afirma que complicações após procedimento odontológico o deixaram três meses em cadeira de rodas e sem condições de trabalhar
Um britânico de 46 anos afirma ter enfrentado graves problemas de saúde após viajar à Turquia em busca de um tratamento dentário mais barato. Segundo informações divulgadas pelo tabloide The Sun, Martyn Kurrant desenvolveu uma infecção cerebral, precisou passar por cinco cirurgias e permaneceu durante três meses em uma cadeira de rodas após as complicações.
Kurrant tinha problemas em 15 dentes provocados por uma doença na gengiva. No Reino Unido, ele recebeu um orçamento de aproximadamente R$ 277 mil para realizar o tratamento. Depois de pesquisar alternativas durante seis meses, decidiu procurar uma clínica em Istambul, que inicialmente ofereceu o procedimento por cerca de R$ 44 mil. Ao final, porém, o custo ultrapassou R$ 55 mil.
O tratamento previa a colocação de nove implantes e 28 coroas dentárias. Em maio de 2024, o britânico foi submetido à primeira etapa do procedimento, que envolveu a extração de dois dentes, um enxerto ósseo e uma elevação do seio maxilar.
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De acordo com o relato apresentado por Kurrant à Justiça, ele teria informado à clínica antes da cirurgia sobre a existência de um abscesso infectado próximo a um dos dentes caninos.
Cerca de três meses depois do procedimento, o homem começou a apresentar secreção nasal e fortes dores em um dos lados do rosto. Em 31 de agosto, a situação se agravou: Kurrant sofreu convulsões e perdeu a consciência.
Uma ressonância magnética revelou a presença de um empiema subdural, uma infecção caracterizada pelo acúmulo de pus entre as camadas que envolvem o cérebro. A condição pode provocar complicações graves e representar risco à vida.
Diante do quadro, o britânico precisou ser submetido a cirurgias cerebrais de emergência e também passou por uma operação nos seios da face. Parte do crânio foi retirada durante o tratamento, obrigando Kurrant a utilizar um capacete de proteção durante a recuperação.
Ao todo, ele permaneceu oito semanas internado e passou por cinco procedimentos cirúrgicos. Em uma das operações, foi colocada uma placa de titânio na região do crânio.
Depois de receber alta hospitalar, Kurrant permaneceu três meses utilizando uma cadeira de rodas e precisou reaprender a andar e a falar. Ele também desenvolveu afasia, condição que pode comprometer a capacidade de compreender e produzir linguagem.
O britânico afirma que ainda enfrenta dificuldades relacionadas à fala, além de ansiedade e perda de confiança. Atualmente, segundo o relato apresentado no processo, ele também precisa pagar cerca de R$ 2,1 mil por mês por sessões com uma fonoaudióloga.
Antes dos problemas de saúde, Kurrant administrava uma empresa de aplicativos voltados ao setor de gestão de instalações e tinha uma renda anual equivalente a aproximadamente R$ 416 mil. Ele afirma que precisou vender o negócio e que, desde as complicações, não consegue voltar ao trabalho.
Kurrant entrou com uma ação na Justiça da Turquia contra a Lema Dental Clinic e o dentista responsável pelo tratamento. O processo pede aproximadamente R$ 1,39 milhão por danos relacionados à dor e ao sofrimento, além de valores referentes à perda de renda e aos cuidados necessários no futuro.
Na ação, a defesa do britânico sustenta que o procedimento teria sido realizado mesmo após a clínica ter sido informada sobre a infecção e que ele não teria recebido informações suficientes sobre os riscos envolvidos.
A Lema Dental Clinic, por sua vez, nega as acusações. A empresa afirma que o tratamento foi realizado por profissionais qualificados, após avaliação clínica e com o consentimento do paciente. A clínica também contesta que os procedimentos odontológicos tenham causado ou contribuído para os problemas neurológicos apresentados posteriormente.
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O caso continua em análise pela Justiça turca, e as responsabilidades pelas complicações ainda não foram definidas.