Vídeos da trend viralizam com humor, mas médico alerta para acidentes graves; relembra casos de objetos inusitados que já pararam no ânus
Uma das trends recentes do Instagram e do TikTok virou assunto por provocar riso e espanto ao mesmo tempo. Nos vídeos, alguém responde perguntas triviais — presentes, itens de bolsa, objetos da casa — e, após a edição, a lista se transforma em um catálogo inesperado de coisas que teriam sido introduzidas no ânus. A brincadeira cresce justamente pelo absurdo dos objetos e pela surpresa construída no corte final.
O viral se espalhou tão rápido que até nomes conhecidos da internet já entraram na onda. A influenciadora e empresária Bianca Andrade, a Boca Rosa, foi alvo da brincadeira feita por seu amigo Miguel, que aplicou a dinâmica típica da trend. O vídeo circulou amplamente nas redes e ajuda a mostrar como o formato funciona — simples, inesperado e pensado para pegar o participante de surpresa.
Segundo o coloproctologista Danilo Munhóz, o comportamento existe e é mais frequente do que se imagina nos pronto-atendimentos. A motivação costuma reunir prazer anal, curiosidade e falta de informação — além do tabu que ainda impede muita gente de buscar orientação ou comprar brinquedos adequados.
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O problema é que, sem acesso a sex toys próprios para uso anal, muitos improvisam com itens domésticos, embalagens e cabos, estimulados por vídeos que sugerem que “qualquer coisa serve”. Munhóz explica que isso ignora riscos sérios: objetos que ficam presos dentro do reto, cortes internos, sangramento, perfuração do intestino e até necessidade de cirurgia. A mistura com álcool e drogas, diz ele, reduz a percepção de perigo e amplia o uso de itens totalmente inadequados.

“O que viraliza como piada costuma terminar em dor intensa, urgência médica e muita vergonha”, resume o especialista. Quando se fala em prazer anal com responsabilidade, o caminho seguro não envolve improvisos. Segundo Danilo, sex toys adequados precisam ter base alargada ou alça para impedir que o objeto seja sugado pelo reto. Devem ser feitos de materiais próprios para uso interno — como silicone de qualidade, aço inoxidável ou vidro temperado —, lisos e fáceis de higienizar.

A orientação do médico é lavar o brinquedo antes e depois do uso, aplicar lubrificante à base de água (já que o ânus não se lubrifica naturalmente), começar por tamanhos pequenos e avançar devagar, sempre parando diante de dor aguda. Se o item for compartilhado, deve ser usado com preservativo e trocado entre parceiros.
Caso ocorra dor forte, sangramento ou sensação de objeto preso, a recomendação é buscar atendimento imediato e não tentar removê-lo à força. Em 2022, um colombiano de 53 anos chegou ao hospital com dores fortes. Imagens revelaram que uma lâmpada havia sido introduzida em seu reto.

Fotos: Reprodução
Em 2023, uma mulher de 51 anos, no Kuwait, foi internada após tentar expelir um osso de galinha de cerca de cinco centímetros pelo ânus, engolido acidentalmente durante uma refeição. Na França, em 2022, um idoso de 88 anos procurou atendimento com um projétil de artilharia de 20 cm por 5 cm preso no ânus, o que levou à evacuação de parte do hospital por medo de explosão. O objeto foi retirado cirurgicamente e o paciente se recuperou bem.
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Um jovem australiano de 14 anos precisou de cirurgia em 2023 após ficar com uma bola de golfe presa no intestino. No Rio de Janeiro, um motorista de aplicativo chamou atenção em 2023 ao ter uma alavanca de câmbio presa no ânus, causando tumulto e atendimento emergencial. Em 2025, um homem de 60 anos deu entrada em um hospital de João Pessoa com um item de quase um metro já introduzido no ânus, exigindo atendimento urgente. A trend diverte muita gente nas redes — mas, fora delas, os casos lembram que improvisar com o próprio corpo não é brincadeira.
Fonte: Metrópoles