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Troca de presidentes virou rotina: Peru chega ao nono chefe de Estado em dez anos após sequência de crises e impeachments
Foto: Reuters/Alessandro Cinque

País vai às urnas escolher entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. Desde a gestão de Pedro Pablo Kuczynski, entre 2016 e 2018, Lima atravessa instabilidade política

Os peruanos foram às urnas neste domingo (7) para escolher o próximo presidente do país, mas a eleição acontece em meio a um cenário que chama atenção em toda a América Latina. Em apenas dez anos, o Peru teve nada menos que nove presidentes, resultado de uma sucessão de crises políticas, renúncias, impeachments e disputas entre o Executivo e o Congresso.

 

Quem vencer a disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez assumirá o cargo em 28 de julho e se tornará o nono presidente peruano desde o fim do governo de Ollanta Humala, em 2016.

 

A instabilidade se tornou uma marca da política peruana. Desde a saída de Humala, nenhum presidente eleito conseguiu concluir o mandato sem enfrentar graves turbulências. Pedro Pablo Kuczynski renunciou em meio a denúncias e pressão política. Seu sucessor, Martín Vizcarra, foi derrubado por impeachment. Manuel Merino assumiu, mas ficou apenas cinco dias no cargo antes de renunciar após fortes protestos populares.

 

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Nos anos seguintes, a crise continuou. Pedro Castillo chegou ao poder em 2021, mas acabou destituído depois de tentar dissolver o Congresso e governar por decreto. O episódio foi tratado pelas autoridades como uma tentativa de golpe, levando à sua prisão e posterior condenação.

 

Após a queda de Castillo, a então vice-presidente Dina Boluarte assumiu o comando do país. No entanto, ela também não escapou da turbulência política e acabou sofrendo impeachment em 2025. Desde então, o Peru passou a ser governado interinamente por José María Balcázar até a realização das novas eleições.

 

Eleitores consultam lista na porta de seção eleitoral em Lima, no Peru, durante o segundo turno das eleições presidenciais no país, em 7 de junho de 2026. — Foto: Rodrigo Abd/ Reuters

Eleitores consultam lista na porta de seção eleitoral em

Lima, no Peru. (Foto: Rodrigo Abd/ Reuters)

 

Especialistas apontam que parte da instabilidade está ligada ao antigo modelo unicameral do país, no qual existia apenas uma Casa legislativa. Esse sistema permitia que processos de destituição presidencial avançassem de forma rápida, sem a necessidade de aprovação em duas instâncias parlamentares.

 

Diante das constantes crises, o Peru promoveu uma mudança histórica neste ano e retomou o sistema bicameral, voltando a contar com Câmara dos Deputados e Senado. A expectativa é que a nova estrutura funcione como um freio institucional e dificulte a repetição dos chamados "impeachments express", que marcaram a última década.

 

O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, em foto de arquivo. — Foto: Reuters/Mariana Bazo

O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori.

(Foto: Reuters/Mariana Bazo)

 

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Agora, o país aguarda o resultado das urnas na esperança de encerrar um dos períodos mais conturbados de sua história recente. O próximo presidente terá pela frente o desafio de reconstruir a estabilidade política e recuperar a confiança de uma população cansada de ver o comando da nação mudar quase todos os anos. 

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