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Troca-troca de partidos no Senado bate recorde e amplia disputa política de olho nas eleições de 2026
Foto: Reprodução

Levantamento mostra que Casa teve média de 11 trocas de partido por ano ao longo das duas últimas legislaturas e movimento coincide com acirramento da disputa eleitoral

O Senado Federal registrou o maior número de mudanças partidárias dos últimos 35 anos, refletindo a intensa reorganização política em curso para as eleições de 2026 e aumentando os desafios do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na articulação com o Congresso Nacional.

 

Levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), aponta que ocorreram 86 trocas de legenda entre fevereiro de 2019 e abril de 2026, o maior volume desde o início da série histórica, iniciada em 1991. Somente na atual legislatura foram registradas 37 migrações partidárias.

 

Os números mostram um cenário de crescente volatilidade política em uma Casa tradicionalmente considerada mais estável do que a Câmara dos Deputados. Nas duas últimas legislaturas, a média foi de aproximadamente 11 senadores mudando de partido por ano.

 

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O movimento ocorre em um momento em que tanto o governo quanto a oposição enxergam o Senado como peça estratégica para os próximos anos. Para o Palácio do Planalto, ampliar a base de apoio na Casa é considerado fundamental para garantir governabilidade. Já setores da oposição e do bolsonarismo tratam a disputa pelas vagas do Senado como prioridade para fortalecer sua influência institucional.

 

A importância da Casa ficou evidente em recentes derrotas enfrentadas pelo governo federal. Entre elas está a rejeição da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), além da derrubada de vetos presidenciais e da rejeição de indicações para cargos estratégicos.

 

O fenômeno das trocas partidárias se intensificou ao longo dos últimos anos. Entre 2011 e 2015 foram registradas apenas oito mudanças de legenda entre senadores. Nos quatro anos seguintes, o número subiu para 35. Já entre 2019 e 2026, o total alcançou 86 migrações.

 

Especialistas apontam que os parlamentares buscam partidos com maior estrutura eleitoral, mais recursos financeiros, melhor capilaridade nos estados e alinhamento com projetos políticos nacionais. Como os senadores são eleitos pelo sistema majoritário e possuem mandatos de oito anos, acabam tendo maior liberdade para trocar de legenda sem riscos imediatos de perda do cargo.

 

Entre os exemplos mais emblemáticos está o senador Carlos Viana (PSD-MG), que já passou por seis partidos desde que assumiu o mandato em 2019. Outros casos incluem Styvenson Valentim (Podemos-RN), Jorge Kajuru (PSB-GO), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eliziane Gama (PT-MA) e Rodrigo Pacheco (PSB-MG), todos protagonistas de mudanças partidárias nos últimos anos.

 

As movimentações refletem não apenas estratégias individuais, mas também o reposicionamento das principais forças políticas nacionais em preparação para a disputa presidencial e para a renovação de parte do Congresso em 2026.

 

O cenário também coincide com uma discussão em andamento no Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade de ampliar as regras de fidelidade partidária para cargos majoritários, como presidente da República, governadores, prefeitos e senadores.

 

Atualmente, a perda de mandato por mudança de partido é aplicada de forma mais rígida aos cargos eleitos pelo sistema proporcional, como deputados federais, estaduais e vereadores. Caso o STF decida ampliar essa exigência, o sistema político brasileiro poderá passar por mudanças significativas. Entretanto, o julgamento foi retirado da pauta e ainda não há previsão para sua retomada.

 

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Enquanto a definição não ocorre, senadores continuam podendo mudar de partido sem risco de perder o mandato, mantendo um cenário de intensa movimentação política que deve influenciar diretamente as eleições de 2026. 

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