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Trump ameaça processar autores e mídia que usam fontes anônimas após livro citar ações problemáticas do republicano
Foto: Reprodução

Declaração ocorre depois de governo anunciar que a própria Casa Branca passará a escolher quais veículos de imprensa terão acesso próximo ao presidente

O livro também afirma que, após sobreviver à tentativa de assassinato contra ele no ano passado, durante a campanha eleitoral, Trump “parecia possivelmente à beira de um colapso”, incapaz de terminar frases e tendo acessos de raiva que eram novidade até mesmo para o republicano, conhecido por ter pavio curto. Em resposta, Trump disse que, após o que chamou de seu “extremamente bem-sucedido” primeiro mês de volta ao poder, “livros e histórias falsos” com fontes anônimas estão surgindo.

 

“Em algum momento, vou processar alguns desses autores desonestos e editoras [para determinar se essas fontes realmente existem, o que, na maioria das vezes, não acontece”, escreveu. “São ficções difamatórias inventadas, e um preço alto deve ser pago por essa desonestidade descarada. Farei isso como um serviço ao nosso país. Quem sabe, talvez criemos uma nova lei boa”, acrescentou o presidente.

 

A Casa Branca de Trump está em frequentes embates com a mídia, enquanto o republicano impulsiona sua agenda ultraconservadora, mirando nos imigrantes indocumentados e desmontando o governo federal com a ajuda do bilionário Elon Musk. Na terça-feira, o governo americano rompeu com décadas de tradição ao anunciar que a própria Casa Branca passará a escolher quais veículos de imprensa terão acesso próximo ao presidente em locais confinados, como o Salão Oval.

 

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A decisão, por sua vez, ocorreu após uma vitória do governo contra a agência Associated Press, que seguirá vetada de eventos oficiais do presidente – ao menos por enquanto. Na segunda-feira, um juiz rejeitou o pedido da AP para derrubar o veto, mas exigiu mais detalhes sobre o caso. No mesmo dia, a Casa Branca afirmou que o acesso ao Salão Oval e ao avião presidencial é “um privilégio, não um direito”.

 

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, a escolha dos jornalistas que integrarão a comitiva de imprensa autorizada a acompanhar o presidente não será mais feita pela Associação de Correspondentes da Casa Branca, que, para garantir uma distribuição justa de vagas, adotava um sistema de rotação entre veículos como a rede americana CNN, o New York Times e a Fox News.

 

Desde seu retorno à Presidência, Trump tem afirmado que quer ver mais representantes da chamada “imprensa alternativa” entre os jornalistas, uma referência a canais de YouTube e de televisão que lhe serviram de palanque ao longo dos últimos quatro anos – e que repetem suas ideias e posições políticas sem tantas críticas. Como justificativa, Leavitt disse que as mudanças não são uma maneira de vetar o acesso à imprensa tradicional, mas uma forma de abrir espaço para novos meios.

 

— Os meios de comunicação tradicionais que estão aqui há anos ainda participarão do grupo, mas novas vozes também serão bem-vindas — pontuou Leavitt na terça-feira.

 

A decisão não foi bem recebida pela associação, fundada há 111 anos. Em comunicado, o presidente do grupo, Eugene Daniels, repórter do portal Politico, disse que a ação “destrói a independência de uma imprensa livre nos EUA”, e “sugere que o governo escolherá os jornalistas que cobrem o presidente”. Daniels ainda revelou que não houve aviso prévio, e prometeu lutar pela transparência na cobertura do Poder Executivo.

 

Autor do best-seller Fire and Fury: Inside the Trump Withe House, publicado em 2018, Wolff agora revelou os bastidores da campanha presidencial do republicano em 2024. Ao anunciar o novo livro do autor, a editora Crown declarou que a tese do jornalista, após 18 meses de cobertura da campanha, era a de que “ou o establishment destruiria Trump, ou Trump destruiria o establishment”. A editora acrescentou que o livro é o “retrato panorâmico e íntimo dessa batalha”:

 

“Desde acusações e julgamentos até tentativas de assassinato e a humilhação e destituição de um presidente em exercício, culminando na surpreendente vitória de Trump”, escreveu.

 

Dentre os casos citados no livro há também o de Ivanka Trump e Jared Kushner, ambos judeus, que se recusaram a assinar uma declaração garantindo que Trump não era antissemita. Wolff escreveu que Trump “parecia incapaz de oferecer apoio absoluto a Israel após o ataque de 7 de outubro” e pediu a Jared que o defendesse publicamente. O empresário, porém, teria se recusado, afirmando que não iria se envolver.

 

A obra também diz que Musk declarou a Trump que só o apoiaria se JD Vance fosse escolhido para a chapa presidencial, e que Trump ficou perplexo com o comportamento “estranho” do bilionário em um comício na Pensilvânia, onde o sul-africano pulou no palco “como uma criança hiperativa”. Na ocasião, o republicano teria se questionado “o que há de errado” com Musk e por que ele não cabia na própria camisa.

 

A equipe de Trump chamou Wolff de “mentiroso patológico” e disse que o livro é fruto de uma “imaginação doentia”. No domingo, o presidente americano comentou sobre a obra nas redes sociais, reconhecendo que o jornalista tentou contato “várias vezes”, mas que ele nunca retornou porque “não queria dar a ele a credibilidade de uma entrevista”. O mandatário também afirmou que outros na administração receberam ligações e que também não falaram com o escritor.

 

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“Wolff diz que tem fontes, mas não tem. Se ele tem, que as revele. Isso nunca vai acontecer. Ele é [um propagador de] fake news, um perdedor total, e ninguém deveria perder tempo ou dinheiro comprando esse livro entediante e obviamente fictício”, publicou. 

 

Fonte:O Globo

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