Presidente americano disse que medida atendia a pedidos feitos pelo príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, e pelo líder turco Recep Tayyip Erdogan
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que irá retirar as sanções econômicas contra a Síria, onde um novo governo liderado por ex-integrantes de grupos armados com histórico jihadista tenta se estabelecer no poder após a queda do ex-ditador Bashar al-Assad. O anúncio foi feito durante a participação do republicano em um fórum de investidores realizado na Arábia Saudita, com a presença do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, a quem o presidente americano disse ter ouvido ao tomar a decisão.
— Há um novo governo que, com sorte, conseguirá estabilizar o país e manter a paz. É isso que queremos ver na Síria — disse Trump, acrescentando que tomou a decisão após conversar com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e com Salman. — Ordenarei o fim das sanções à Síria. Ah, o que eu faço pelo príncipe herdeiro!
O anúncio de Trump atraiu aplausos entusiasmados da plateia do fórum em Riad, que reuniu membros da elite empresarial mundial e da família real saudita. A comitiva americana incluiu o magnata Elon Musk, além de presidentes-executivos de empresas como IBM, BlackRock, Citigroup, Palantir e Nvidia. Antes da aparição no evento, Trump e Salman assinaram acordos para uma "parceria econômica estratégica", que a Casa Branca disse ter valores de US$ 600 bilhões (R$ 3,3 trilhões no câmbio atual).
Veja também

Lula e Xi tentam unir América Latina na resistência a Trump
O anúncio sobre a Síria acontece em meio à viagem de Trump pelo Oriente Médio — primeira viagem oficial do presidente americano, a exceção da ida ao Vaticano para o funeral do Papa Francisco —, numa agenda que chamou a atenção pela ausência de Israel, principal aliado americano na região, no roteiro oficial. Analistas ouvidos pela imprensa americana afirmaram que a exclusão pode ser um sinal ao premier israelense, Benjamin Netanyahu, que tem se negado a assinar um acordo de paz em Gaza, algo que Trump disse que conseguiria rapidamente após o cessar-fogo do começo do ano.
O sinal positivo ao novo regime sírio vem em um momento de tensão particularmente elevado do país e o Estado judeu, em meio a disputas envolvendo a população drusa (que habita os dois países e o Líbano). Israel realizou ataques contra o território sírio, incluindo na capital Damasco, em razão da violência sectária aparentemente iniciada por grupos armados de maioria islâmica, que o governo israelense acusa de receberem acobertamento das autoridades sírias.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/2/V/LJbNG5T2Ar08ncJARyYA/111027941-us-president-donald-trump-signs-an-agreement-during-a-bilateral-meeting-with-the-saudi-cro.jpg)
Trump assina acordos durante viagem à Arábia Saudita
(Foto: Brendan Smialowski/AFP)
Fontes ouvidas pelo New York Times afirmam que Trump concordou em "cumprimentar" al-Sharaa, ex-líder do Hayet Tahrir al-Sham (HTS), grupo armado que em sua origem teve vínculos com a al-Qaeda, durante sua passagem por Riad, na quarta-feira.
O gesto, que parece muito mais ao regime saudita do que ao novo governo sírio, não representa uma mudança completa do alinhamento entre EUA e Israel. Em certo momento da apresentação no fórum, Trump declarou seu "desejo fervoroso" de que a Arábia Saudita aderisse aos Acordos de Abraão, plano patrocinado por ele em 2020, por meio do qual Emirados Árabes Unidos e Bahrein estabeleceram relações diplomáticas com Israel.
A plateia ficou em silêncio quando o presidente americano defendeu a normalização com Israel, algo que é desejado pelo Estado judeu, mas é profundamente impopular entre os sauditas, com autoridades do país defendendo que qualquer acordo neste sentido deve estar vinculado à criação de um Estado palestino. Trump também reafirmou uma posição hostil ao Hamas, sem mencionar o grupo, que é seguida pelo governo israelense.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/0/2/6eNEVvShu4jox2FVN4vQ/111024367-saudi-crown-prince-mohammed-bin-salman-c-walks-with-us-president-donald-trump-l-upon-his-a.jpg)
Trump caminha por tapete lavanda ao lado de Salman na chegada
à Arábia Saudita (Foto: Brendan Smialowski/AFP)
— O povo de Gaza merece um futuro muito melhor. Mas isso não vai e nem pode ocorrer enquanto seus líderes optarem por sequestrar, torturar e alvejar homens, mulheres e crianças inocentes para fins políticos — disse.
A viagem de quatro dias de Trump pela região ainda inclui paradas no Catar e nos Emirados Árabes Unidos, em uma viagem que fontes em Washington dizem que o foco é na celebração de acordos comerciais — embora os países da região tenham interesse em um aprofundamento do alinhamento mais estratégico com Washington.
Envolvido em uma série de temas regionais, o presidente anunciou que o secretário de Estado, Marco Rubio, fará parte da delegação americana em Istambul, que acompanhará as conversas de quinta-feira entre russos e ucranianos. Ele também se referiu às negociações com o Irã, o principal rival do regime saudita, sobre o programa nuclear do país. Trump disse que Teerã nunca vai ter uma arma nuclear.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
— [Estou oferecendo ao Irã] um novo caminho, um caminho muito melhor para um futuro muito melhor e mais promissor — disse Trump. — As coisas estão acontecendo em um ritmo muito rápido, então eles precisam agir agora. (Com NYT)
Fonte: O Globo