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Trump contesta avaliação de agência do Pentágono e afirma que instalações nucleares do Irã foram destruídas
Foto: Reprodução

Presidente acusou a imprensa de tentar ‘diminuir um dos ataques militares mais bem-sucedidos da História’; relatório, porém, partiu do próprio Departamento de Defesa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contestou um relatório de Inteligência que concluiu que os ataques aéreos ordenados por ele contra o Irã tiveram impacto limitado sobre o programa nuclear do país, apesar de a avaliação ter partido do próprio Pentágono. Ao falar com repórteres durante uma cúpula da Otan em Haia nesta quarta-feira, o republicano disse que o documento era “muito inconclusivo”, mas reiterou sua crença de que os locais foram demolidos.

 

— A Inteligência diz que não sabemos. Pode ter sido muito severo. É isso o que a Inteligência diz. Então, acho que isso está certo, mas acho que podemos partir do princípio de que não sabemos. Foi muito severo. Foi aniquilação — declarou, sugerindo ainda que Israel poderá fornecer uma avaliação mais concreta em breve, uma vez que o premier israelense, Benjamin Netanyahu, estaria “colocando pessoas na situação”.

 

Mais cedo, o mandatário americano havia publicado na rede Truth Social que “as instalações nucleares do Irã foram completamente destruídas”. Ele também acusou a CNN e o New York Times, que divulgaram primeiro as conclusões da Inteligência na terça-feira, de terem “se unido numa tentativa de diminuir um dos ataques militares mais bem-sucedidos da História”, mas estavam sendo “criticados pelo público”.

 

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A avaliação da Agência de Inteligência de Defesa (DIA, na sigla em inglês) do Pentágono concluiu que os bombardeios do dia 22 de junho contra instalações nucleares em Fordow, Natanz e Isfahan provavelmente não atingiram os componentes centrais do programa nuclear do Irã localizados no subsolo, como as centrífugas, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

 

As conclusões estão em linha com imagens de satélite que mostram novas crateras, entradas de túneis possivelmente colapsadas e buracos no topo de uma cadeia de montanhas — mas sem evidência conclusiva de que as instalações subterrâneas mais protegidas tenham sido atingidas. Ainda assim, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a conclusão da Inteligência estava “completamente errada”.

 

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, apoiou a visão de Trump sobre o sucesso dos ataques. Ele classificou o relatório do Pentágono como “preliminar” e de “baixa confiança”, e afirmou que o vazamento será investigado. Já Steve Witkoff, o enviado especial de Trump para o Oriente Médio, definiu os relatos como “completamente absurdos” em entrevista à rede conservadora Fox News na terça-feira.

 

O chefe do Exército israelense, Eyal Zamir, disse na noite de terça-feira que os ataques contra o Irã “atrasaram em anos” os projetos nucleares e de mísseis de Teerã. Nesta quarta-feira, o porta-voz do Exército do Estado judeu, Effie Defrin, considerou que ainda era “muito cedo” para identificar os danos ao programa nuclear iraniano, embora também tenha dito acreditar que as instalações sofreram “um duro golpe”.

 

Ainda assim, a avaliação do Pentágono teve algum respaldo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O diretor da agência, Rafael Grossi, afirmou à Fox News que, embora o programa atômico iraniano “tenha sido significativamente atrasado”, é difícil determinar se o retrocesso é de meses ou de anos.

 

Trump intermediou um cessar-fogo para encerrar o conflito de 12 dias entre Israel e Irã, que parecia estar sendo respeitado nesta quarta-feira. O presidente havia criticado os dois países na terça — especialmente Israel — por supostas violações antecipadas da trégua. Ambos os lados disseram que manteriam o cessar-fogo desde que o outro o respeite.

 

A desaceleração do conflito provocou uma queda nos preços do petróleo, revertendo quase todos os ganhos registrados desde o início dos ataques. Ainda assim, o cessar-fogo segue frágil, à medida que o foco volta à diplomacia. Um dos objetivos declarados dos ataques dos EUA e de Israel era destruir a capacidade do Irã de desenvolver uma arma nuclear, o que aumenta a urgência das avaliações sobre o impacto real da ofensiva.

 

Witkoff, que disse à Fox ser quase impossível o Irã reconstruir seu programa nuclear, afirmou já estar em conversas com autoridades do país para retomar negociações formais. Até agora, segundo ele, os diálogos têm sido promissores.

 

Grossi, da AIEA, declarou que as inspeções da agência da ONU devem ser retomadas “o mais rápido possível” para verificar o que aconteceu com os estoques de urânio enriquecido a 60% do Irã — nível próximo aos 90% necessários para fabricar uma bomba. Segundo a AIEA, a última verificação desses estoques ocorreu dias antes dos ataques israelenses, iniciados em 13 de junho, e sua situação atual é desconhecida.

 

O relatório da DIA, a Agência de Inteligência de Defesa americana, aponta danos consideráveis na superfície das instalações nucleares e afirma que os ataques dos EUA provavelmente atrasaram o programa iraniano em alguns meses, podendo chegar a um ano, segundo uma fonte com acesso ao conteúdo. A avaliação foi compartilhada com líderes da Câmara e do Senado dos Estados Unidos.

 

Antes dos ataques, Trump havia afirmado categoriamente que o Irã estava “a semanas” de ter uma bomba nuclear, embora especialistas e estimativas da Inteligência americana dissessem que o país poderia levar meses ou até anos para desenvolver uma arma.

 

As operações envolveram o lançamento de mais de uma dúzia de bombas do tipo “bunker buster” de mais de 13.600 kg contra instalações nucleares iranianas — a primeira vez que esse armamento foi usado em combate, segundo o Pentágono. Mísseis Tomahawk também foram lançados de um submarino americano da classe Ohio no Mar da Arábia.

 

Antes do ataque israelense ao Irã, os EUA haviam conduzido cinco rodadas de negociações com a República Islâmica, em busca de uma solução diplomática para as preocupações com o programa nuclear — um substituto ao acordo firmado em 2015, do qual Trump retirou os EUA durante seu primeiro mandato. Um novo acordo ainda não havia sido fechado, embora uma sexta rodada estivesse prevista antes de o bombardeio israelense levar o Irã a cancelá-la.

 

Teerã insiste em seu direito, garantido por leis internacionais, de enriquecer urânio para fins civis, como a geração de energia nuclear. Em conversas com líderes da região reportadas pela mídia estatal na terça-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou essa posição:

 

— A República Islâmica do Irã está apenas exercendo seus direitos legítimos e não tem ambições além disso — disse.Segundo o governo iraniano, 606 pessoas morreram nos ataques israelenses. Já em Israel, as autoridades locais afirmaram que 28 pessoas foram mortas em seu território devido a mísseis iranianos, incluindo quatro na manhã de terça-feira, pouco antes do início da trégua.

 

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No mesmo dia, autoridades israelenses anunciaram o fim das restrições de segurança impostas durante a guerra. O primeiro-ministro israelense declarou à população que as ameaças imediatas representadas pelo programa nuclear e pelos mísseis balísticos do Irã haviam sido eliminadas — embora seu chefe militar, Zamir, tenha alertado que “a campanha contra o Irã ainda não terminou”.

 

Fonte: O Globo
 

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