EUA mantêm opções militares, incluindo ações contra a Ilha de Kharg
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que o Irã tem 48 horas para chegar a um acordo sobre a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz ou enfrentará o que chamou de “inferno”. O ultimato já foi adiado duas vezes nas últimas semanas. Em contrapartida, o governo iraniano reafirmou que só aceitará um cessar-fogo sob “condições claras” para uma paz definitiva.
“Lembrem-se de quando dei ao Irã dez dias para FECHAR UM ACORDO ou ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ”, escreveu Trump na rede Truth Social, em referência ao ultimato feito em 26 de março.
“O tempo está se esgotando: 48 horas antes que todo o inferno se desate sobre eles”, disse o presidente, acrescentando “Glória a Deus!”.
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Na semana passada, Trump anunciou o adiamento para 6 de abril da ameaça de destruir a infraestrutura elétrica do Irã, afirmando que a decisão atendia a um pedido de Teerã e que as negociações estavam “indo muito bem”. O movimento ocorreu em meio à pressão sobre a Casa Branca, diante da alta dos preços do petróleo e da desaprovação da população americana em relação à guerra.
“De acordo com o pedido do governo iraniano (...) esta declaração serve para anunciar que suspendo por 10 dias o período de destruição de usinas de energia, até segunda-feira, 6 de abril de 2026, às 20h”, disse Trump.
“As conversas continuam e, apesar das declarações equivocadas da mídia de notícias falsas, estão indo muito bem”, acrescentou.
Apesar do discurso otimista, os dias seguintes foram marcados por uma escalada nas tensões. Em pronunciamento no início da semana, Trump afirmou que os EUA estão “muito perto” de atingir seus objetivos no conflito e voltou a ameaçar bombardear o Irã, dizendo que os ataques poderiam se intensificar nas semanas seguintes.
Teerã reagiu com promessas de retaliação. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, o comando militar iraniano afirmou que a guerra continuaria até a “rendição” dos adversários e prometeu ações “devastadoras, amplas e destrutivas”. Autoridades da República Islâmica também contestaram as declarações americanas de que sua capacidade militar teria sido enfraquecida.
Neste contexto, o novo prazo de 48 horas anunciado por Trump marca uma mudança de tom após sucessivos adiamentos do ultimato inicial sobre o Estreito de Ormuz. Inicialmente, o presidente havia dado um prazo para que o Irã reabrisse a rota estratégica, sob a ameaça de ataques à infraestrutura energética do país, prazo que foi posteriormente estendido em meio a negociações indiretas.
Apesar das tentativas de diálogo, mediadas por países do Oriente Médio, autoridades iranianas mantêm ceticismo em relação às intenções americanas. O Ministério das Relações Exteriores do país afirma que as declarações de Trump fazem parte de uma estratégia para conter a alta dos preços de energia e ganhar tempo para possíveis ações militares.
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Mesmo com as negociações, EUA e Israel mantêm operações contra alvos iranianos. Autoridades americanas indicam que opções mais agressivas seguem em análise, incluindo ações contra a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país.