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Trump diz que China deveria quadruplicar compras de soja dos EUA; preço sobe após declaração
Foto: Reprodução

Às vésperas do fim do prazo da trégua comercial entre os dois países, declarações do presidente americano fizeram cotação da commodity subirem

Trump também agradeceu ao líder chinês Xi Jinping na publicação, sem dizer o motivo. Apesar de Trump afirmar que a China estaria preocupada com uma suposta escassez de soja, analistas afirmam que o país pode suprir sua demanda com outros fornecedores e que não há este temor em Pequim.

 

O apelo do presidente acontece quando os agricultores americanos estão a poucas semanas da próxima colheita, o que aumentará a oferta disponível para venda. A China é o maior comprador mundial da oleaginosa e costuma figurar como o principal cliente dos produtores de soja dos EUA, um comércio avaliado em mais de US$ 12 bilhões em 2024. Outro grande exportador de soja para a China é o Brasil.

 

Dados do governo americano no fim de julho mostram que a China evitou fazer reservar previamente cargas de soja dos EUA para a próxima temporada, que começa em setembro, à medida que persistem as tensões entre os dois países.

 

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Os contratos futuros da soja em Chicago subiram até 2,8% após a publicação de Trump, o maior ganho intradiário em quatro meses. Milho e trigo também registraram alta.

 

A agricultura tem sido um ponto central na disputa comercial entre os dois países, com a China recorrendo a cultivos da América do Sul e de outras regiões para suprir suas necessidades. Durante o chamado acordo comercial da “fase um”, firmado no primeiro mandato de Trump, a China concordou em aumentar a compra de produtos agrícolas dos EUA, como a soja. No entanto, Pequim acabou ficando muito aquém das metas de compra previstas no pacto.

 

As declarações de Trump geraram novo otimismo de que o comércio bilateral entre China e EUA possa em breve se reaquecer, com ativos como ações chinesas também registrando alta. A soja americana também se tornou mais barata do que os embarques brasileiros, à medida que se aproxima a entrada de nova oferta no mercado.

 

Pequim enfrenta um prazo até 12 de agosto para que sua trégua tarifária com os EUA expire, embora o governo Trump tenha sinalizado que é provável que ela seja prorrogada.

 

A China há muito se preocupa com seus estoques de soja, um elemento-chave tanto na alimentação humana quanto na ração animal. Nos últimos meses, o país aumentou as compras de soja de seu principal fornecedor, o Brasil, e também vem testando carregamentos experimentais de farelo de soja da Argentina para garantir o abastecimento do ingrediente usado na alimentação animal.

 

— A decisão de comprar farelo de soja da Argentina é apenas uma solução temporária — disse Hanver Li, analista-chefe da consultoria de commodities Shanghai JC Intelligence, sediada na China. — Se as negociações entre China e EUA correrem bem, isso não se tornaria um padrão comercial de longo prazo.

 

Esse é, normalmente, o período do ano em que as compras da China começam a se deslocar para o Hemisfério Norte. Analistas ouvidos pela Bloomberg esperam que o Departamento de Agricultura dos EUA eleve sua projeção para a safra doméstica em um relatório previsto para terça-feira.

 

CHINA PODE IGNORAR SOJA DOS EUA SE QUISER, DIZ ANALISTA


Ainda assim, há poucos sinais de que a China esteja preocupada com uma escassez de soja, apesar dos comentários de Trump, afirmou Vitor Pistoia, analista sênior de grãos e oleaginosas do Rabobank. Se as relações comerciais não melhorarem, o país conseguiria obter todo o seu abastecimento anual unicamente da América do Sul, se necessário, ignorando os EUA, disse ele.

 

— Quando você soma o que o Brasil tem, o que a Argentina tem, junto com o que o Uruguai e o Paraguai possuem, todos eles têm o suficiente para abastecer a China — afirmou em entrevista.

 

Enquanto China e EUA tentam chegar a um acordo comercial, outros assuntos têm complicado a relação. Na semana passada, a China defendeu suas importações de petróleo russo, reagindo às ameaças dos EUA de novas tarifas depois que Washington impôs sanções secundárias à Índia por comprar energia de Moscou.

 

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E, no domingo, uma conta de mídia social ligada à estatal China Central Television — que regularmente sinaliza a visão de Pequim sobre o comércio — criticou supostas vulnerabilidades de segurança e ineficiência de um chip da Nvidia. Em julho, o governo Trump voltou atrás e permitiu que a Nvidia vendesse o acelerador de IA H20 para a China. 

 

Fonte: O Globo

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