Presidente americano anunciou na terça-feira que retiraria as sanções contra o novo regime sírio a pedido do príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, e do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan
O presidente dos EUA, Donald Trump, encontrou-se nesta quarta-feira com o presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa, na Arábia Saudita, um dia após anunciar que suspenderia as sanções impostas contra o país do Oriente Médio. É a primeira vez em 25 anos que um líder americano encontra com um chefe de Estado sírio, por décadas submetida à ditadura liderada por Bashar al-Assad.
O encontro entre Trump e al-Sharaa aconteceu antes da participação do presidente americano em uma cúpula com altos funcionários de seis países árabes na capital saudita. Um funcionário da Casa Branca detalhou ao New York Times que a conversa entre eles durou cerca de meia-hora. Além de troca de cumprimentos, os dois posaram para uma foto ao lado do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, anfitrião do evento diplomático.
Em um resumo sobre a reunião divulgado pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, Trump disse a al-Sharaa que ele "tem uma tremenda oportunidade de fazer algo histórico em seu país". O presidente americano também teria instado o líder sírio a tomar medidas para normalizar relações com Israel e a pedir a "todos os terroristas estrangeiros que deixem a Síria".
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Na terça-feira, Trump anunciou que se encontraria com a liderança síria durante sua participação em um fórum de investimentos realizado pelo governo saudita. Ele disse que atenderia ao pedido de Salman e do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que apoiou a luta contra Assad. O líder turco participou do encontro desta quarta por telefone.
— Há um novo governo que, com sorte, conseguirá estabilizar o país e manter a paz. É isso que queremos ver na Síria — disse Trump na terça-feira, acrescentando que tomou a decisão após conversas com Erdogan e Salman. — Ordenarei o fim das sanções à Síria. Ah, o que eu faço pelo príncipe herdeiro!
A janela de diálogo é uma reviravolta impressionante para al-Sharaa, que liderou um braço da al-Qaeda e chegou a ficar detido em uma prisão americana no Iraque, antes de romper laços com o grupo.
Como líder rebelde, ele reuniu apoio de diversas facções, incluindo de inspiração jihadista sob a bandeira unificada do Hayet Tahrir al-Sham (HTS), que foi quem derrubou de fato o regime Assad após mais de uma década de guerra civil. Desde então, ele tenta moderar sua imagem.
O novo governo sírio tem tentado sobretudo remover as sanções internacionais persistentes à Síria para romper o domínio econômico sobre um país fundamental para a estabilidade do Oriente Médio. A notícia foi celebrada em Damasco, onde uma multidão se reuniu na emblemática Praça dos Omíadas.
— [O fim das sanções significa que] Washington aceitou as garantias da Arábia Saudita para legitimar a nova administração síria — afirmou Rabha Seif Allam, do Centro de Estudos Políticos e Estratégicos de Al Ahram, no Cairo. — Permitirá à Síria receber o financiamento necessário para reativar a economia, impor a autoridade do estado central e lançar projetos de construção.
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O encontro foi recebido com dúvidas por Israel, aliado crucial dos Estados Unidos na região. O Estado judeu, que ocupa uma parte do território sírio nas Colinas de Golã, bombardeia com frequência o território sírio, como já fazia durante o regime de Assad, e desconfia das novas autoridades islamistas de Damasco que buscam reconstruir o país.
Fonte: O Globo