A viagem teria como objetivo avaliar questionamentos feitos por setores políticos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende enviar dois altos funcionários do Departamento de Estado a Brasília para discutir a transparência e a integridade do sistema eleitoral brasileiro, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (24) pelo jornal The Washington Post.
De acordo com a publicação, a missão deve ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para 4 de outubro. A viagem teria como objetivo avaliar questionamentos feitos por setores políticos sobre o funcionamento das urnas eletrônicas.
A delegação americana seria formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Segundo o jornal, Samson é conhecido por atuar em pautas conservadoras e manter diálogo com grupos de direita em diferentes países.
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Integrantes da diplomacia brasileira teriam recebido a informação sobre a visita e avaliam a iniciativa como uma possível interferência em assuntos internos do país. Uma fonte ouvida pelo jornal afirmou que o governo brasileiro pretende defender a autonomia do processo eleitoral.
O Departamento de Estado confirmou que os dois diplomatas viajarão a Brasília, mas não informou oficialmente quais serão os objetivos da missão.
A possível visita ocorre em meio a um período de tensão entre Brasil e Estados Unidos, envolvendo temas como tarifas comerciais, liberdade de expressão e o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Washington Post destacou que o sistema eleitoral brasileiro é considerado seguro por diversas missões internacionais de observação. Segundo a reportagem, avaliações realizadas desde 2018 apontaram confiabilidade nas urnas eletrônicas e na apuração dos resultados.
O tema voltou ao debate após declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, que questionou a relação entre as urnas brasileiras e a empresa venezuelana Smartmatic. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou a informação e afirmou que a empresa nunca forneceu urnas nem participou do desenvolvimento dos sistemas eleitorais do Brasil.
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A reportagem também aponta que a movimentação faz parte de uma estratégia mais ampla da atual administração americana de ampliar a atuação política junto a grupos conservadores na América Latina.