Durante comício no Kansas, presidente americano associou protestos franceses a uma possível vitória da oposição nas eleições de meio de mandato e voltou a defender sua política de controle das fronteiras.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país poderá enfrentar episódios de violência semelhantes aos registrados recentemente na França caso o Partido Democrata conquiste vitórias nas eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, marcadas para 3 de novembro. A declaração foi feita na noite de segunda-feira (20), durante um comício no Kansas, organizado para apoiar o senador republicano Roger Marshall, que tenta a reeleição.
Durante o discurso, Trump citou imagens de incêndios e manifestações violentas na França para acusar os democratas de quererem provocar uma situação semelhante em território americano. O presidente, no entanto, não apresentou evidências que sustentassem a afirmação.
“Quando vocês virem campanários em chamas e incêndios violentos na França, lembrem-se de que é isso que os democratas radicais querem fazer com os EUA. Eles pretendem fazer isso. Não vão nem chegar perto”, declarou Trump diante dos apoiadores.
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O presidente também relacionou os protestos franceses, motivados por questões como educação, custo de vida e insatisfação com os serviços públicos, à política migratória europeia. Segundo ele, os países do continente foram frágeis na fiscalização das fronteiras e permitiram o agravamento de problemas internos.
“O que está acontecendo na França é o que eles, os democratas, querem que aconteça em nosso país. Isso nunca vai acontecer aqui. A Europa fechou suas fronteiras, mas fracassou porque foi fraca, permitiu que suas fronteiras fossem reabertas imediatamente. Nós fechamos nossas fronteiras, que são as mais fortes da história do nosso país”, afirmou.
TRUMP INTENSIFICA CAMPANHA POR CANDIDATOS REPUBLICANOS
Nas últimas semanas, Trump tem percorrido diferentes estados americanos para participar de eventos políticos e apoiar candidatos republicanos que disputarão as eleições de meio de mandato. O pleito é considerado decisivo para o governo, que busca manter o controle do Congresso dos Estados Unidos.
As projeções eleitorais, porém, indicam que os democratas têm chances de conquistar a maioria em pelo menos uma das duas casas legislativas, em um cenário de desgaste da popularidade presidencial.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada recentemente apontou que a aprovação de Trump caiu para 31%, o menor índice registrado durante seu atual mandato, em meio à insatisfação com o aumento do custo de vida. O presidente também enfrenta dificuldades para convencer os eleitores de que suas políticas conseguirão tornar produtos e serviços mais acessíveis.
Na França, os últimos dias foram marcados por manifestações contra o custo de vida e o financiamento dos serviços públicos. Alguns protestos evoluíram para episódios de violência, tumultos e saques, em meio à insatisfação de parte da população com a situação econômica e social do país.
DISPUTA PELO SENADO NO KANSAS
O comício ocorreu em um momento de atenção especial para os republicanos no Kansas, estado tradicionalmente conservador do Meio-Oeste americano. Trump venceu a disputa presidencial no território por uma margem de 16 pontos em 2024, e os republicanos mantêm uma longa trajetória de domínio nas eleições para o Senado estadual em nível federal.
Roger Marshall, que ocupa uma cadeira no Senado dos Estados Unidos em seu primeiro mandato, enfrenta uma disputa considerada competitiva contra o democrata Adam Hamilton, pastor de uma igreja metodista.
Hamilton critica a política tarifária de Trump e classifica a liderança do presidente como errática. Durante o discurso, Trump atacou o adversário e fez uma declaração provocativa sobre suas posições políticas.
“Ele quer que vocês se arrependam por terem nascido brancos”, afirmou o presidente ao se referir a Hamilton.
RETÓRICA SOBRE IMIGRAÇÃO VOLTA A GERAR CRÍTICAS
As declarações de Trump também reacendem o debate sobre sua retórica em relação à imigração e às minorias étnicas. Ao longo dos anos, organizações de direitos humanos e grupos de defesa das liberdades civis têm criticado discursos do presidente considerados hostis a imigrantes e comunidades minoritárias.
Essas entidades argumentam que declarações com referências xenofóbicas e antimuçulmanas podem contribuir para a normalização de atitudes discriminatórias.
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Com a aproximação das eleições de 3 de novembro, Trump tem intensificado os ataques aos adversários políticos e utilizado temas como imigração, segurança pública e economia para mobilizar a base republicana. O resultado das midterms poderá alterar o equilíbrio de forças no Congresso e influenciar diretamente a capacidade do governo de avançar com sua agenda política.